Pra tudo no mundo tem um motivo. Por isso, não ouso reclamar da minha vida: apesar de dores, ela é perfeita. Sempre se mostra perfeita, arquitetada por mim mesmo, com cada dor, cada problema, cada dor de cabeça se justificando na próxima encruzilhada. Já vi, muitas vezes, algo que relutei em perder, acabar me dando algo melhor em troca, ou algo mais importante, e quando não, já vi muitas coisas que se foram voltar.
É engraçado, nada na vida é definitivo. “Só a morte”, dizem uns, mas do jeito que tá, daqui a pouco nem a morte será, com todos esses malucos milionários comprando caixões criogênicos, e pagando os olhos da cara pra cura da morte, ou pra serem ressuscitados daqui a um milhão de anos. E por nada ser definitivo, mais uma vez deixo de me preocupar com o meu próprio futuro. Dane-se, que eu pare embaixo da ponte, escrevendo em jornal velho, com bosta de cachorro de tinta. Se for lá que eu vou parar, vou estar satisfeitíssimo. Porque sei que no mínimo, quando eu morrer eu vou sair de lá, nem que seja para ir pra baixo da terra, ou parar dividido entre um bando de animais, fungos e bactérias que participaram da minha decomposição.
É a linha natural da vida, você é formado através de bilhões de átomos, tomados por seus pais de todos os outros seres e de todos os ambientes da Terra, e vai se desintegrando durante a vida, voltando a fazer parte de tudo com perda de cabelo, pele, pelos. Até que um dia você volta, definitivamente a ser um amontoado de átomos, espalhados por tudo e todos. É engraçado pensar: somos eternos. Imortais. Só o nosso conceito de imortalidade que está errado. A eternidade, num mesmo corpo, não existe, mas é real a partir do momento em que, quando você morre, sua matéria (que de sua não tem nada) passa a fazer parte de outros, e depois de outros, e mais outros, até que um dia não exista matéria alguma! Sabia que cada ser humano possui algo em torno de alguns milhões de átomos de Einstein, Da Vinci, Van Gogh, Sócrates? Eu fico muito feliz com isso. Me faz pensar que eu não sou um gênio. Sou vários. E qual o motivo de tudo isso? Perpetuar a vida, em matéria.
O que dói é que às vezes é mais confortável não crer nos motivos da vida pra tudo isso. Ou menor, das pessoas. É quando algumas pessoas fazem coisas nas quais não queremos acreditar. E procuramos não ver motivo pra isso, porque seria doloroso demais haver um motivo. Prefiro não pensar. Prefiro achar que elas não fizeram isso de propósito. Ou que elas não fizeram. Prefiro pensar no segundo braço, de que nada é definitivo, nem mesmo nossas escolhas, nem mesmo nossas ações, nem mesmo o que ficou no passado, finalizado. Alguma hora alguém vai ter que reabrir essas conclusões mal-feitas, e continuar a história toda.
É impressionante como uma reação sutil pode estragar toda a nossa vida. E eu sou o rei dessas sutilezas, e me odeio por isso. Quase não consigo acreditar: Como consigo não perceber essas pequenas grandes merdas que eu faço, se sou tão sensível a elas? Inacreditável. São pequenas coisas assim, palavras erradas nas horas erradas, faladas da forma e no tom errados. Foge da melodia, e uma única nota dissonante estraga a música, uma única figura fora do lugar mata a poesia. E eu sou o rei de tudo isso. Mil perdões a todos que já se magoaram por causa dessas pequenas grandezas. De verdade.
Um comentário:
A morte não é o fim. É apenas um começo de uma nova existência.
Ah,eu tenho uma certeza! Depois que morrer vou pra um lugar muito melhor.
bjo :*
adorei seu blog, vou voltar sempre aqui (:
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