domingo, 22 de junho de 2008

Abridor de Sapatos

Mais um fim de noite absorvente cai, e apenas mais coisas na cabeça contam como novas.
A vida é suja, forte e irônica, quando em crônicas nos coloca, arbitrariamente, talvez como um aviso, talvez como uma peça.
Aviso dado, apenas nos olha de cima, cara fechada, sem perguntar da família, pois não é falsa, e fala de pronto o que sente.

Caminhos obtusos não lhe faltam. Nenhum é certo, mas nenhum
é errado.

Depende só do sentido que ela tem (inventar). Por pior que tudo seja,
é sempre um pouco pior.

Entretanto! A luz emana de sua fronte, e está sempre guiando todo caminho, pronta a te acolher de qualquer lado, em qualquer lado. Caminhos não são esteiras.

Tudo termina então, com um dentro de si mesmo. Basta só ele descobrir que está dentro. e ter calma, porque é assim mesmo.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Sobre a paixão.

“Se um homem leva uma vida de arte, seu cérebro fica sendo o coração, Dorian”.

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, traduzido por Clarice Lispector.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Um Futuro Pensável

O capitalismo tecnocrata desenvolve-se.

Com a sua evolução, os meios de produção modernizam-se, exigindo cada vez menos força de trabalho.

Em um ponto, ou o sistema implode, pois não há mais compradores, um mercado de baixa renda, uma classe operária; ou o preço de mercado cai de tal forma, que basicamente qualquer pessoa teria dinheiro para comprar as máquinas de produção, e assim o mercado volta a ser de pequenos comerciantes, pois qualquer tem o poder aquisitivo de comprar uma máquina que produza, competindo assim com as grandes empresas. Com o mesmo preço de produção das multinacionais, o mercado local ganha força, pois é deduzido o preço de impostos e frete.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O Dilema do Autor

Não é dúvida para ninguém que, o objetivo supremo de todo ser humano é simplesmente aparecer, fazer com que seja lembrado, se auto-promover, rumo à imortalidade de sua imagem. Todo ser humano tem a necessidade básica de ser lembrado, afirmando assim que existe, que existiu, e que continuará existindo. Para isso, passam a vida se utilizando de seu potencial, a fim de criar algo digno de lembrança, de existência. A única coisa que nos garante nossa existência são nossas ações. Só somos lembrados uns pelos outros, pois falamos de alguma coisa interessante ontem, abrimos nossa casa para uma festa, nos tornamos influentes por acumulação de riqueza, ou contatos, ou se fazemos algo digno de imortalidade: Como uma obra de arte. Quando criamos algo reconhecido, aparecemos. Tornamos-nos reais para uma poderosa parcela de população que, antes, ignorava nossa existência, e assim temos a nossa realidade dissolvida entre as memórias dessas tantas pessoas. Deixamos de depender de apenas nós mesmos para existir, e passamos a existir no imaginário, ou memória coletiva de um grupo de pessoas. Marcamos assim, por tempo indeterminado, nosso nome na história, tendo a memória passada a cada geração, até cair, uma vez mais, no esquecimento, quando perdemos nossa importância. Apenas os verdadeiramente grandes se tornam nomes imortais.

Portanto, tudo o que o ser humano faz em sua vida inteira, é um serviço básico de manutenção corporal e mental, enquanto busca se tornar uma pessoa ímpar no que faz, para poder produzir, criar, sintetizar informações e sentimentos, assim sendo reconhecido, aparecendo, ganhando reconhecimento, poder, imortalidade, um lugar entre os gênios da humanidade. O sentido da vida humana é transformar-se formalmente em deus, ou qualquer outro nome que deseje dar a essa figura. O ser humano reconhece-se um deus a partir do momento em que é humano, se colocando no centro de tudo, e se dando o direito de tudo modificar e transformar, se tiver o poder de fazê-lo. As diversas religiões do planeta afirmam que o sentido, ou a “missão” do ser humano na Terra é definido e conhecido pelo transcendente, o criador. Pois eu afirmo que o sentido auto-imposto, inconscientemente, pelo homem e pela sociedade, se torna, invariavelmente, assumir o papel de criador. Lembrado como um deus: É o sonho de todo grande ser humano, que busca criar e revolucionar o universo à sua volta, o universo no qual se relacionam as pessoas. Para si, todo ser pensante é deus. Ele próprio, e seu bom senso, as leis que regem seu cérebro, são o último e primeiro definidor das verdades de sua própria compreensão. Como humanos, definimos em que acreditamos, em que cremos, o que seguimos. Nada pode nos ser imposto, no final das contas. Temos sempre a opção de não acreditar, e não acreditando fazemos uma ou outra verdade não existir para nós, e com isso, a ignoramos. Portanto, temos sempre a opção de ignorar tudo à nossa volta, ou acreditar em tudo; O que existe em uma mente não pode ser refutado por ninguém mais. E se definimos tudo o que há como existente dentro de nossa própria cabeça, nossa própria loucura particular, somos deuses absolutos em nossa própria cabeça, sem percebermos que tal poder existe.

Pois bem, o ser humano já se sabe deus, em sua profundeza mais íntima. Mas o ser humano sofre de uma suprema incerteza: Sua própria existência. Se tudo o que existe (ou não existe) depende da minha própria acepção para ser real, isso também vale para as outras pessoas em torno de mim. Uma pessoa só existe à partir do momento em que é visualizada, ou ouvida, ou lembrada, e mesmo assim, depende da assimilação do cérebro do telespectador (por assim dizer) para relacionar a imagem, ou o som, ou a lembrança daquele ser com aquela pessoa. Pois bem, se as pessoas só existem porque acredito em sua existência, porém são, assim como eu, capazes e executores desse mesmo método de compreender a realidade, portanto, só existo à partir do momento que aceitam minha existência? Portanto, para que eu seja uma pessoa, devo ser reconhecido como tal por meus semelhantes? E para ser um deus para o mundo da sociedade, como sou em minha própria mente, devo também ser reconhecido como tal pelas outras pessoas, portanto. Para tornar-se um deus, devemos abandonar nosso confortável mundo que já aceita, subserviente, essa condição de existência, e lutar pela nossa imortalidade no mundo do capital. Então entra toda a ação humana: Sangue de conquistador, partindo dos seguros reinos da consciência individual para o selvagem mundo dos homens. Nasce a busca pelo reconhecimento. A busca pela criação, pela inovação, pelo novo, pelo impressionante: Tudo para ser lembrado. A única garantia que tenho de existir é fazendo-me real entre os outros. Pobres deuses sem seguidores, egocêntricos inocentes, como a própria realidade humana. Penso que é uma condição triste. Escrevo a fim de me tornar grande, porém há sempre o fantasma da imortalidade, me testando, procurando saber se sou capaz, se sou grande o bastante, “o quão bom você é?”, e há também a minha própria consciência que diz, “você não é deus, deus não existe, você tem certeza que quer ser eterno?”.

Afinal, quer queira quer não, ninguém sabe, e duvido que saiba um dia, se há alguma coisa após a morte. Acredito eu que a morte, na verdade, não existe, e tenho esse direito. Existimos enquanto somos pensamento. Enquanto é possível pensar na existência de uma pessoa, essa pessoa continua existindo, graças ao imaginário coletivo. Imortalizar-se significa apenas nos tornar parte do universo do máximo de ser humanos possíveis, a fim de que continuemos a viver, em suas próprias realidades. Quando sua obra se torna realmente imortal, o criador é nela imortalizado. Cria-se um vínculo, criador-criatura, eterno, em que ele continua existindo graças à continuidade de sua obra, e a obra é real graças a um fruto da loucura particular do criador. Criador e obra tornam-se imortais porque seu conjunto de existência é importante o suficiente para a humanidade a ponto de serem lidos e relidos por cada nova geração. Aquele que era transcendente em seu próprio universo, passa a ser escravo da sua imortalidade no universo dos outros. A imortalidade é um inferno. É criminosa. Tira-nos o direito de escolher pela não-existência, como incógnitas, anônimos entre as grandes mentes, ilustres seres pensantes à sua volta. Escravos do simples ato de criar. É por isso que todo artista é um deus, porém ingênuo. Escravo de sua obra torna-se ela própria, e ela própria torna-se seu autor. Como “Deus”, escravo de sua criatura-homem.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Fortaleza Quântica

Tudo meio assim, imagine, uma realidade, meio matrix, meio teoria da conspiração, meio tudo um pouco, meio mundo. O mundo é tudo um pouco disso, um pouco de matrix, um pouco de teoria da conspiração, um pouco de insanidade displicente, gerada pela chatice normativa dos não-loucos, chamados normais, mas por mim, agora que aprendi, chamados também de doidos. Dia especial: Kael, nome celestial, mas se eu fosse encarregado por um sistema diabólico e meio facista que eu fosse obrigado a chamar de chefe, mudaria o significado: O pescador de pessoas, ou talvez o pescador de loucuras. Pessoas, afinal, são loucuras, e Kael é aquele que tem o dom de conhecer pessoas extraordinárias. Encontramos com Kael, Kael está acompanhado. Vamos ao carro, vamos ao bar. Local sagrado chamado Beirute, tempos imemoriáveis de Brasília, maquete de experimentos do país.

Brasília é a cidade perfeita, de diversos pontos de vista, e assim foi planejada, com todo seu apartheid personalizado: Uma imponente, loucamente planejada acrópole. Segura, rica, um oásis no meio do deserto do planalto. Em torno, cidades que vivem para suprir Brasília de serviços básicos, cujos importantes moradores se recusariam a efetuar. Brasília é justamente, portanto, uma matrix dentro da própria, uma maquete em tamanho real do que seria a capital intergalática perfeita, regida pelo império, é claro.

No bar, ao som da chuva e à luz dum incenso, profundo, a bolha mais uma vez cresceu. Com certeza, pode-se dizer que foi só mais um bug do sistema: Tal encontro era proibido pelas leis quânticas, físicas, físico-químicas e bíblicas de acontecer. Provavelmente se trata dum encontro de realidades, como uma grande sala de bate-papo. Imagine-se entrando num lugar e deparando consigo mesmo: Choque de dimensões. Sentado num bar, deparo-me comigo mesmo, sentado à minha frente, porém numa dimensão ainda distante, já que, como pude ter a pretensão de ensinar, nos mantemos presos por nossas pessoais fortalezas quânticas, cérebros físicos inexistentes, imagens criadas por nossos próprios para proteção.

Digo e afirmo, sem medo de parecer (ou me mostrar) maluco – Sou Deus. Com toda certeza, afirmo sem medo da sua repreensão (ou apreensão), ou repressão: Constato, e os informo, sociedade louca do mundo, sociedade que me julga maluco perante os olhos cegos da justiça, tão injusta, como prova toda a história, possuo, como você, seu irmão, sua namorada e seu amante, um cérebro onipotente, onisciente, e onipresente. Por proteção, criamos, juntos, a convenção do mundo físico: Essa é a verdadeira palavra de Deus (a minha). Imagine um universo onde você poderia fazer tudo o que quisesse, mas onde também haveria o revés de todos os outros terem o mesmo poder que o seu. A sobrevivência não passaria, portanto, de uma utopia? Talvez um norte...? Pois bem, imagine um congresso que nunca existiu, fora da sua própria cabeça, onde todos os deuses, que são um só, e que sou eu, mas também pode ser você, depende da realidade que você escolher, se juntam e resolvem abdicar seus oni-poderes afim de viver. Pois bem, agora sabes de um segredo que muito poucos sabem.

É dito pela física quântica, que o cérebro é uma máquina quântica perfeita. Como no universo das possibilidades, cada uma delas gera uma nova realidade, e com isso há a criação e a existência constantes de realidades diferentes, o fato de vivermos uma só é mero medo. Nosso cérebro, como máquina quântica perfeita, é capaz de viver em todas as realidades, duas, ou uma só, escolhendo tais possibilidades com seu poder de previsão. O fato de seguirmos uma normalidade significa apenas que, nessa escolha de possibilidades, cada novo cérebro encarnado, ou cada ser humano, é condicionado pelos próprios pais, viventes do mundo físico, a escolherem sempre possibilidades que seguem algumas regras de existência, as tais Leis da Física, que também não existem necessariamente.

Sentamos no bar, bebemos cerveja, apreciamos a nossa loucura, ou lucidez agraciada. Trocamos pensamentos, palavras, verdades, mentiras, vidas. Com toda a certeza, tal conversa não existiu. O sistema se comprometeu de fazer uma limpeza. Me mataram em 98, entrei com a cara na porta, rasguei o supercílio. A injeção de anti-tetânica foi mal efetuada, bolhas de oxigênio surgiram por todo o meu sangue. Caio ficou mal na época, só que depois esqueceu. Mas então, nunca conheceu o Ribeiro. A Jah te Vi acabou, porque não teve ninguém para falar no ouvido dos moleques. Sem o Ribeiro, Caio nunca se tornou maluco do jeito que é. Caio nunca conheceu Ida, sua amada norueguesa, já que a Ida conheceu apenas o Ribeiro. Nunca se fez a ponte Edgar, Caio, Ribeiro, Kael. Caio nunca ficou tão amigo de Kael, apesar de acabarem se conhecendo. Lá se vai Caio, o profeta. Nunca houve, então, Caio, Kael, Zé e Chico sentados numa mesa. Afinal, Caio, Chico, Tássia e Diego são uma pessoa só. Afinal, Caio, Kael, Zé e Chico são também uma pessoa só. Chico e Zé são irmãos, ou são duas realidades de uma mesma pessoa, que nunca se encontraram. Chico morreu! Morreu novo, aos 8 anos! Nunca conheceu Dani, nem Marina, quanto mais Martha. Nunca conheceu ninguém, porque nunca existiu. Interpretando direito, Caio, Tássia, Diego, Kael e Zé são uma pessoa só: Chico, que é Deus. Chico morreu, ou talvez nunca tenha nem existido. Essa conversa nunca existiu. Esse texto também não.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Realidade fria, porém real

Já não escrevo como antes. Talvez seja porque passei por tudo, talvez seja apenas porque já me dói de forma diferente todas as dores do meu corpo. Por pouca vontade, exponho textos antigos; Antigas feridas, abertas eternamente como em foto, apesar de já não sentir sua dor, apesar de tais dores já me serem tão familiares, que deixaram a muito de me incomodar. Lembranças e saudades, de tempos saudosos e repletos de memórias. Parece, às vezes, que sou tudo isso, mas apenas isso: Lembranças, saudades. Saudades que senti, que sinto, que sentirei, que talvez, no meio dessa dormência, me esqueça do gosto, do cheiro, da sensação específica. Luas, lençóis, sorrisos, piscadelas, jeitos. Jeito próprio de piscar os olhos, expressões faciais marcantes. Tudo lembranças.

Já não escrevo tanto quanto antes, ou tão bem. Tanto, pois aparentemente as minhas marés fizeram trégua, e já não tenho tanta vontade de escrever. Tudo bem, tudo bem, todos dizem, é passageiro, é fase, e sei que é verdade. Mas já não escrevo tanto, e tão bem quanto antes, pois hoje sou outro, e não sei se isso é triste, feliz, ou simplesmente indiferente. É tudo questão de lembranças, De já vus, pouco modificados: Mesmo local, relativamente mesmas personagens, situação completamente diferente. Parte de mim chora; Conservador como sou, nunca desejei tal mudança. Parte de mim sorri; O espírito revolucionário aceita mudanças sem pestanejar, acaricia o passado, mas ama o futuro, e conseqüentemente, o presente: Situação nova, situação boa. Uma terceira parte, simplesmente se sente atordoada, tão triste quanto feliz, nervosa. Pessoas importantes para mim, de diferentes épocas, se encontram todas. Antigas mágoas, antigas fotos felizes, antigas peças, antigas músicas. Antigos amores, antigos ódios, situações, momentos, loucuras!

O isqueiro salva a muitos. Levantado ao ar, ou levantado à boca, uma simples fricção de uma roda áspera de metal numa pedra de pólvora, uma centelha, uma centelha que acende um gás, gás esse que é alucinógeno, gás esse que pode destruir um cérebro, gás esse que queima belo. Erguido acima da cabeça, afasta toda a escuridão que cai sobre a minha alma, sobre o meu coração, sobre o meu casaco. Erguido acima do meu queixo, ou do queixo de outros, afasta a realidade, afasta o nervosismo, afasta a escuridão, ilumina rostos. Por algum motivo não me sinto mal com a escuridão afastada. Os rostos são nítidos. Os rostos se estranham. Os rostos se olham, de relance, algumas poucas vezes. Os rostos enchem-se de ar, esvaziam-se de ar, sufocam-se a si mesmos, ficam felizes. A situação é esquisitíssima, porém os rostos não se comentam. Apesar de todos os rostos, ou quase todos, estarem a par da situação, Um rosto esconde a surpresa, e permanece sem reação. O isqueiro já não é necessário, o ambiente se bruma entre os rostos, inutilmente, ocupando os últimos vazios no meio do nevoeiro. Os rostos estão acostumados com a névoa, mas há muito não se olham de perto, há muito não se falam, e continuam sem falar. Provavelmente, ambos os rostos tem muito o que dizer, muito o que sentir, muito o que temer. Mas palavra alguma é proferida. Se juntam perto do fogo, fogem assim da escura realidade que os compõe. Porém, não deixam orgulho, posição, respeito, realidade. Resolvem, silenciosamente, portanto, prorrogarem uma futura mudança, ou diria, re-mudança. Beijos não são trocados, abraços também não, tampouco comprimentos. O rosto se vai em meio à multidão.

Mais tarde, já sem um isqueiro, já sem rostos, resolvo ir embora. Um beijo na face sela qualquer coisa. Talvez um até nunca mais, talvez um até amanhã. Por mais que eu me importe, não me importo. A realidade é morta, a saudade é ignorada, sentimentos podem não existir, quando necessário. Triste? Diria real. Pergunte às brumas de Avalon, em Brasília, na UnB, ou até na torre, ou no CCBB. Lembranças me compõem, porém já não ligo para identidade.

Condição

E não me importa o presente,

Onde não ganho um só tributo,

Tempo este no qual somente vivo,

Vivo, por não ter rumo melhor a seguir,

Rumo, por não ter coisa melhor a fazer,

E faço, por não ter lugar melhor para viver.

E não me importa tudo isso, do que não reclamo,

Enquanto penso, simplesmente, nas portas,

Portas que me apareceram,

Portas que me escolheram,

Que me trouxeram a escolher a espera,

Por primavera, ou talvez por outono,

Mas a espera por alguém que vai longe,

E para longe de mim se foi.

Quando volta, ou se volta,

Tenho medo.

Pois não me importa o presente,

E a única coisa que lhe pergunto é

Sou passado, ou sou futuro?



14 de Julho de 2007. Tempos de saudades imensas e antigas realidades opressoras. Tive resposta impronunciada.