sábado, 30 de junho de 2007

Destinos e Reticências

França. Nova Zelândia, Austrália, Inglaterra! Peru, Equador, Panamá, até Argentina. Ou Japão, Alemanha, Moçambique. Estados Unidos já foi, Canadá acabou de deixar de ser, Noruega deixa amanhã. Irlanda, Inglaterra de novo, Estados Unidos de novo, México... França. Até Escócia, Uruguai está sendo, até Paraguai, se não me engano. Posso dizer também de Bali, Tailândia... Espanha, Portugal, Holanda. Itália, e... França.

Dentro do país há Angra, São Luiz, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo. Paraty, Búzios, Bonito... Floripa, Goiânia, Guarapari, Goiás Velho. Belém do Para, Muitas na Bahia, Campo Grande. Fora do país, França.

Destinos, muitos e muitos destinos. Pessoas, muitas e muitas pessoas. Tristezas, felicidades, pessoas que nunca mais verei, pessoas que verei em pouco tempo, outras em não tão pouco tempo. Pessoas próximas, pessoas distantes, pessoas quais eu me incluo, pessoas quais meus familiares estão inclusos. Tristezas vão com algumas, desejos de boa sorte com outras, mas é engraçado como sempre fica esse ar, reticente. Acho que nunca acabei de me despedir de ninguém.

Nunca houve nada parecido com um filme, onde as pessoas se despedem daqueles que viajam, e pronto, despediram-se, agora resta esperar sua volta. Ou mesmo quando as pessoas se despedem de você, que está indo viajar, e em um passe de mágica, deixam de existir. Sempre houve apenas reticências. Aquela vontade de ter se despedido um pouco mais, ou simplesmente aquela indiferença esquisita, quando é uma pessoa que mal tenho contato. Com algumas, uma certa tristeza bate, em pensar que muitos fatos transcorreram, transcorrem, transcorrerão dessas viagens, uma tristeza muitas vezes causada pela certeza de que nunca mais verei alguém, ou algo do tipo. Às vezes é só saudade. Às vezes essas lombras não tem nada a ver com a realidade. Mas ainda assim, fica um medo, uma sensação esquisita, uma saudade... Uma nostalgia, e... Reticências. Aquela vontade de ter dito algo a mais, de ter passado um pouquinho mais de tempo junto com a pessoa, aquela sensação de arrependimento por ter tratado a pessoa de algum jeito, que você acha que foi insuficiente... E reticências.

Alguns estão de volta, alguns destinos deixaram de ser destinos para transformarem-se em partidas, finalmente. Porém, alguns acabaram de tornarem-se destinos, e alguns são dolorosos. Alguns destinos deixarão de ser destinos para serem residências, outros serão estadias longas, alguns estadias curtas... E alguns nunca deixarão de ser destinos, pela sensação esquisita de que a pessoa está sempre indo, como acontece com as pessoas que você não mantém muito contato. “Fulano foi pra Zimbabwe”, você diz. Mas foi a meses atrás, então, porque não diz que está lá? Porque foi? Continua indo, eternamente? Às vezes parece que sim. Às vezes é assim, quem sabe?

Enquanto isso, outras pessoas foram para lugares, chegaram a lugares, e estão lá, agora. França. Destino final. Lá se encontra, lá está. Essa, em especial, espero ansiosamente. E com muita saudade, e muita nostalgia, espero o momento em que transformará seu Destination em seu Departure. Pois enquanto isso há a costumeira reticência. E reticências, reticências, reticências...

Lua

Repentinamente, me vejo só. Só, só, só. Olho em volta, e sumiu. Sumiram todos. O quarto à minha volta começa a crescer, se agigantar, se transformar num mundo inteiro. As mesas são agora montanhas, o chão um grande mar, e a minha cama, último porto seguro que sobra. Nesse universo crescente, começo a me sentir cada vez mais sufocado, cada vez mais preso, quanto mais ele cresce. Inconscientemente, uma prisão começa a se formar em volta de mim, e começo a me sentir claustrofóbico, tamanha a imensidão, vazia, que me cerca. Começo a ser esmagado pelo peso do vazio. O oxigênio, de tão abundante, começa a me faltar, pois minhas narinas nunca antes respiraram sem dividi-lo com pessoas. Pessoas que eu gosto, pessoas especiais. Pessoas que vem e vão, Entrando e saindo por portas da vida.

Enquanto sozinho, percebo o quanto o Sol é importante para mim, o quanto ele me acompanha, me dá forças, e que sempre que eu precisei de companhia e de forças, ele estava lá, me olhando paternalmente, sempre em busca de me ajudar. Mas zombando de mim, a vida também o tira, e o quarto fica cada vez mais escuro, com o afastamento dela. Sinto medo, sinto tristeza, mas também compreendo os caminhos que a vida toma, o que me deixa ainda mais impotente em minha dor. Sabendo como e porque a vida escolheu seus desvios, é impossível sentir raiva, esse sentimento ingênuo e feliz, que nos ajuda a passar por alguns dos momentos difíceis da vida. É impossível odiar, ou ter uma raiva real de alguém importante para você, alguém que você goste. E nessas horas, só podemos desejar boa viagem, e esperar que o retorno realmente retorne, apesar de todo o medo que sentimos da mudança, da mudança que essas viagens fazem nas pessoas.

E tudo isso escurece meu mundo, pois surge medo, surge dúvida, e apesar de não criar expectativas racionais, estamos sempre esperando algo, sempre débeis seres confiantes de que a vida enfim vai cooperar, quando na verdade somos apenas nós que não cooperamos seguindo o caminho que ela nos impõe. Balançamos inutilmente em suas tempestades, com completa certeza de que sabemos exatamente para onde estamos indo.

E ali, no escuro sozinho do meu mundo, algo me faz rir de todos os seres humanos, inclusive eu mesmo. A lua navega pelos céus do meu quarto, zombando de mim, lá no alto, me olhando. Lembro de todas as luas que passaram pela minha vida, e da relação de amor e ódio que criei com o satélite. Sempre joguei a culpa de todas as decepções da minha vida na lua, odiando-a sempre que necessário. E então, nunca mais consegui parar de rir. Pois a lua está sempre lá, nos olhando, indiferente em sua grandeza. E por estar sempre lá, presente, sempre achamos que ela está olhando por nós, nos acolhendo, ou nos olhando com a severidade de quem nos tortura, enquanto na verdade ela está apenas olhando. Não zomba, não ri, não chora. Apenas observa, serena em suas noites. E mesmo assim, odiei-a, com todas as minhas forças, por tudo que acontecera na última semana. Culpei-a por tudo que ocorrera, que me machucara, que me fizera sofrer, e xinguei seu olhar indiferente nos céus.

Mas então, uma pequena estrela cadente cruzou as paredes negras do mundo-quarto, e eu, impressionado como uma criança, compreendi a grandeza de tudo. Percebi que a vida é linda justamente por não podermos escolher nossos caminhos, e percebi que todos os fatos felizes que ocorreram na minha vida, inclusive ela, se deram apenas pelo motivo de eu não ter podido seguir o caminho que desejava seguir. Percebi que a graça da vida é não esperar que as coisas aconteçam, pois acontecerão sempre do jeito que os próprios fatos acharem mais legal, ou mais bonito, ou mais divertido. Amei então a lua, minha segunda mãe, aquela que esteve sempre presente, nos momentos bons e ruins da minha vida, indiferente aos meus sentimentos, contente em apenas me olhar, me admirar, como sempre a admirei, mesmo quando com raiva. E nada mais de ruim senti, e compreendi, e esperei Agosto, sozinho, no escuro mundo claustrofóbico do meu quarto, mas agora iluminado pela companhia de alguém tão ilustre quanto a própria lua.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Quando o mundo caiu

Sentado, melancólico com a nova realidade, já tão velha, fitava o mar, lá em cima. Antes um ávido praticante da arte de caminhar, assim passava a maior parte de seus dias. Não se conformava em viver naqueles malditos suportes para samambaias, com sem poder ver o céu, ou sentir o Sol sobre a sua cabeça, pelo menos não tranquilamente e sentado em algum lugar, como antes se fazia. Gostava de andar pela cidade, ou melhor, pelas cidades, apreciar o horizonte, olhar para o céu, e duvidar de que aquilo tudo realmente existe. E agora, privado de tudo isso por uma loucura das leis universais, passava o dia sentado, pensando no passado, bebendo.

Vez ou outra, tentavam falar com aquele que antes fora um dos mais promissores pensadores de seu tempo. Conscientes de que o Fato mudou irremediavelmente a face do mundo, e de todos que viviam nele, nem insistiam: Ele não foi o único que entrou em depressão, ou enlouqueceu depois daquele desastre. Na verdade, uma maioria dos sobreviventes tornou-se insana.

Porém, quando os aspirantes a ouvintes tinham grande sorte, uma feliz pequena gota de água se desprendia, e caía bem em sua testa. Por algum motivo, isso sempre o acordava de sua depressão. Talvez porque isso o lembrava da chuva. Talvez não. E então, uma disposição impossível o acometia, e ele passava a responder a todos. Mas infelizmente, só falava do passado.

Geralmente, então, pediam-no que falasse do dia em que tudo ocorreu. E ele contava o que aconteceu, como se nenhum deles houvesse passado por tudo aquilo.

Ele estava andando pela rua, há trinta anos atrás, em seus vinte e poucos anos, quando tudo ocorreu. Na época, cursava física e filosofia. Havia passado entre os cinco primeiros para ambos os cursos. Em sua juventude, já era considerado um dos maiores pensadores vivos, e aclamado por suas teorias, filosóficas e físicas. E é claro que como qualquer outro físico, nunca mais tocou em qualquer assunto relacionado à área depois do ocorrido.

Estava andando tranquilamente pelo eixo W, em Brasília, na altura da 109, quando começou a ouvir gritos de espanto por todos os lados. Olhou em volta, e todos estavam parando de fazer o que quer que estivessem fazendo, e olhando na direção do lago Paranoá. Divertido, virou-se calmamente, com ar de superioridade, típico de um jovem bem sucedido, e foi punido pela realidade, ao ser obrigado a espantar-se como qualquer outro: Uma cachoeira havia aparecido no lago. Mas se fosse só isso, teria sido apenas curioso. A cachoeira estava saindo do lago. Subindo, em direção ao céu profundo e azul, azul como só acontece em Brasília, e se perdendo, quando os olhos já não alcançam o trajeto da cachoeira.

Ingenuamente, como todos os outros, começou então a descer em direção ao lago, abismado, com uma expressão idiota, quase infantil, no rosto. Entrou na passagem correndo, passou por baixo do eixão, correu feliz da vida para fora, entrando na 209. E foi ali que o seu espanto tornou-se desespero. Ele olhava fixamente a enorme cachoeira que saía do lago, que por algum motivo, começara a afinar, quando percebeu alguma coisa subindo, passando entre sua visão e a cachoeira, porém distante. Parou, curioso, enquanto aquelas essa “coisinha” subia, e percebeu muitas outras subindo. Eram carros.

Desesperado, olhou para frente, e, ouvindo gritos de desespero, viu uma multidão vindo da direção das quatrocentos. De forma perceptível, semelhante ao inicio da chuva, as pessoas começavam a subir, numa velocidade acentuada, e essa estranha onda vinha chegando perto de onde ele estava. Pensou então em correr, mas sua reflexão rápida o convenceu a correr na direção oposta. Correu em direção à quadra, entrando embaixo da segurança de um bloco, o primeiro suporte de samambaia que possuiu. Ali, esperou.

De súbito, ele sentiu. E foi a mais estranha sensação que já sentira. Alguns psicanalistas de hoje em dia julgam que foi por essa sensação que a maioria daqueles que enlouqueceram perdeu a sanidade. Não era como se estivessem te puxando para cima, ou como se você perdesse o suporte que te prendesse ao chão. O mundo estava virando de cabeça para baixo, literalmente. Ele sentiu que estava caindo, e tentou se segurar num banco que estava perto, mas não teve tempo. Caiu no teto do térreo do prédio, e levantou-se a tempo de ouvir o estrondo dos elevadores caindo e se espatifando contra as suas casas de máquina.

Confuso, ficou ali, tentando entender o que aconteceu, o que poderia fazer, qualquer coisa do tipo. Procurou o porteiro do prédio, ou qualquer outra pessoa, mas não havia ninguém – deviam ter corrido em direção à cachoeira, ou fugindo dela, como todos os outros. Ficou, então, sozinho embaixo – ou em cima – do prédio, até conseguir subir as paredes da portaria, auxiliado por pessoas que conseguiram fazer o caminho inverso, subindo pelas rampas dos tetos das escadas, durante um longo tempo.

De algum modo, alguém conseguiu fazer funcionar um helicóptero, e acabou não sendo o único, e assim começou a adaptação à nova realidade, com as pessoas buscando recriar a normalidade. Com o passar dos anos, os poucos sobreviventes foram encontrando-se, e reunindo-se em várias pequenas comunidades, já que era quase impossível cobrir grandes distâncias. Em dez anos, alguma normalidade havia ocupado o espaço do caos depois de que o mundo virou de cabeça pra baixo, e depois de vinte anos, as primeiras cidades samambaias começaram a se formar.

Pessoas começaram a concertar aviões que se espatifaram contra o teto de seus próprios hangares, e em pouco tempo, havia aviões reunindo as pessoas nessas cidades, tão esquisitas, sobre suportes presos ao chão por cabos de aço. A vida continuou, e há hoje pessoas que nem mesmo viveram o mundo como ele era, e de forma irônica, há já algumas crianças que não acreditam que o mundo algum dia teve um solo firme, no qual você podia andar o quanto quisesse. E isso tudo deprime o “professor”, aquele jovem que um dia gostou tanto de caminhar, e observar o mar.

Por algum motivo, o mar foi a única coisa que se manteve no lugar de sempre, em vez de cair, e por isso, o grande pensador de tempos passados agora o odiava. Passava o dia inteiro ali, sentado na sua cadeira, ao ar livre, olhando para o mar, desafiando-o a cair, se perguntando como que tudo aquilo aconteceu, e odiando cada vez mais o mar.

Raramente, levanta, e caminha até o parapeito da plataforma, e fica lá durante horas, olhando o cristo redentor, de cabeça para baixo. Por algum motivo, escolheram o Rio para ser o suporte para a cidade samambaia do Brasil. Estava lá, flutuando, em toda a sua majestade, iluminada pelo holofote solar, longe abaixo. Desafiava os céus e suas profundezas, como antes o fazia invejar a sua beleza terrena. E uma única coisa não mudou: Continuava sendo a cidade maravilhosa.

Tosse e Espirro

- Pois é doutor, tudo começou com um espirro. Eu tava lá em casa, há uns dois anos atrás. Um amigo meu tinha passado a semana por lá, bem doente, e eu tinha começado a gripar. Era uma tosseira, um tal de espirra pra cá, espirra pra lá, e aquela dor no corpo, aquela chatisse que o senhor conhece.

- Sim, sim, compreendo. Continue.

- Bem, o grande problema foi quando a tosse começou a piorar. A garganta foi ficando sensível, e com aquele clima seco de Brasília, só piora tudo. Mas o problema todo começou numa bobagem muito maior.

“Eu tenho esse... esse costume, esse problema, sei lá, essa coisa de pensar demais em tudo. Eu sempre tô pensando em dez coisas ao mesmo tempo, sempre no mundo da lua, e sempre procurando um porquê pra tudo, procurando um sentido nas coisas, essas coisa meio de filósofo, sabe? O problema é que isso me incomoda. Eu num consigo controlar esses pensamentos, e às vezes de tanto pensar, eu fico com dor de cabeça. Começo a ficar nervoso, brigar com todo mundo por qualquer coisa, fico meio irritadiço. Um amigo meu falou que tem a mesma coisa. Só que pra ele é diferente um pouco. Ele fala que é que nem um fumante quando fica fissurado, querendo um cigarro, sem conseguir um. Só que aí ele escreve. E aí ele viciou em escrever, e nunca mais conseguiu parar. Escreve todo dia, se não fica até com insônia, num consegue dormir, e quando consegue dorme mal, tem que escrever antes.”

- Tudo bem, mas continue com o seu problema.

- Ah! Então. Eu num consigo controlar esses meus pensamentos, sabe? E aí, há dois anos atrás, quando eu tava doente lá, a minha tosse começou a piorar.

“E aí eu tava lá em casa, muito feliz da vida, sem noção alguma de que eu num tinha nenhum problema de verdade, sabe? Reclamando, de barriga cheia, da vida. E aí o negócio é que começou a dar aquela coisa chata da tosse sabe, começa com aquela coisa esquisita na garganta, e aí vem uma coceirinha que você sabe que vai tossir. E aí eu dei aquela puxada de ar pra garganta, pra deixar ela mais sensível ainda, com aquela certeza de que eu ia tossir, e aí eu espirrei. Sei lá, eu não tossi! Eu tinha certeza de que ia tossir, eu tinha forçado a tosse, feito de tudo pra tossir, só que não tossi! Eu espirrei, do nada, de repente, na hora que eu queria tossir. E aí que começou isso tudo.”

- E como que essa sua... Tosse-espirro pode ter gerado a sua insegurança?

- Ah doutor. É que sabe, é aquilo que eu te falei. Eu sou muito filósofo. E aí começou desse jeito. Eu ia tossir, e espirrei. E aí foi assim pra sempre. Eu nunca mais consegui saber se eu ia espirrar, ou se eu ia tossir.

“Vinha aquela vontade de espirrar, aquela coisa até gostosa, que agente perde o controle do rosto, da respiração, e em vez de espirrar eu tossia. E aí coçava a garganta, e eu espirrava. Ou se não, vinha um acesso de tosse, que eu espirrava, tossia, e aí tossia de novo, e vinha outro espirro, e eu num entendia mais nada. E quando num era assim, eu espirrava e tossia ao mesmo tempo. E aí eu fui ficando cada vez mais desesperado, e paranóico, e eu num conseguia saber quando que eu espirrava, quando que eu tossia, e aí quando tinha alguém por perto eu ficava até com vergonha da cara que eu fazia quando vinha vontade de espirrar, ou de tossir, eu sei lá doutor, eu comecei a pensar, se eu num consigo controlar nem se eu tusso ou se eu espirro, como que eu vou controlar alguma coisa?! Se eu num consigo nem ter certeza de como que o meu corpo vai reagir, que certeza eu posso ter? E aí começou a bater uma depressão, comecei a me sentir tão inútil... Fui ficando inseguro, e aí eu num sabia mais o que fazer.”

- E você tentou perder essa insegurança, de algum jeito?

- Ah doutor, eu tentei de tudo. Mas num dava, num dava mesmo. Eu precisava ter certeza de alguma coisa, precisava controlar alguma coisa, e num dá pra ter certeza de nada se nem disso eu tenho, nem controlar nada se eu num consigo controlar nem a mim mesmo. Aí eu comecei a tentar curar essa tosse-espirro. Mas o problema é que num é igual uma doença sabe, que você cura usando remédio pra parar. O negócio é que sempre que eu ia tossir ou espirrar, saia os dois, ou saía trocado, ou se não saía certo.

- Bem. Nada no mundo é certo, você sabe. Você tem é que aprender a não precisar de uma certeza no mundo, pois elas não existem. O mesmo se dá a essa sua necessidade de controle. O que eu digo para você é...

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Sobrevida

Então ali fiquei, encarando-o, desesperado demais para me desesperar, triste demais para chorar, assustado demais para gritar. Era uma sensação que eu nunca sentira antes: Sublime, completa, absoluta, e absolutamente aterradora.

Então ali eu fiquei, sentindo-o me sentir, olhando-o me olhar, sendo envolvido pelo meu abraço que ele me dava. E era um sentimento ruim. E era como se eu não pudesse abraçar ninguém, como se eu não pudesse xingar ninguém, como se mesmo aqueles que eu sempre odiei eu fosse obrigado a amar, e todas aquelas que amei, agora era obrigado a odiar. Era uma sensação absurda. O medo era tão grande, perante aquilo, flutuando ali, entre os quatro céus, descobrindo, enfim que não existia então um Deus, ou um inferno, apenas aquilo. Foi quando me dei conta que eu ainda não havia morrido.

Então ali fiquei, encarando-o, consciente demais para acordar, compreensivo demais para compreender. E o que tinha para acordar? Eu estava completamente acordado. E que tinha para compreender? Naquele momento eu sabia de tudo. Então ali fiquei, encarando-o, esperando a morte, o sono, ou qualquer outra coisa. E o silêncio era absurdo. Gritante. Queria falar, mas não tinha vontade. Queria ouvir, mas também não tinha vontade. Queria esperar. Só esperar. Mas também não tinha vontade para isso.

Então, eu nada. Digo nada, pois não há um verbo que o diga, mas eu nada. Olhei-o, esperei que me matasse, que risse de mim, que escarnecesse da minha humanidade, que chorasse, que qualquer coisa! E nada fez.

O inferno era esse: O céu. E o diabo era aquilo. Não era um ser mau, ou bom. Era apenas nada. Parava ali, tomava-te por completo, e olhava eternamente a sua cara, enquanto você esperava a paz derradeira que nunca viria. Não ria, pois não havia graça, ela nunca existira. Não chorava, pois a tristeza era coisa de outro mundo, que também não existia. Só olhava, sem olhos. E você descobria que havia sonhado durante toda a sua vida, e que não existiam pessoas, humanidade, ou qualquer outra palavra que você criou durante seus anos de história. Ninguém nunca existira, fora sempre você, e o seu mundo. Até que você acordasse e fosse você, e ele. Para todo o sempre.

Bons tempos aqueles?!

É curioso, mas se tudo continuar do jeito que está, vai tudo continuar do jeito que sempre foi. Só que pior. Quer dizer, pior pra mim, pelo menos. É um algo que eu percebo em tudo: na escrita, na música, nas conversas, nas pichações no muro, nas sacanagens que os filhos-da-puta fazem com os outros no colégio. Está virtualmente em tudo! Mas que diabo é isso, me perguntam? Bem, é simplesmente que a gente só vive duas coisas, hoje em dia: A nostalgia e o lamento.

Parece até coisa de português, aqueles caras que passaram um milhar de anos fazendo música só sobre isso. E não sei quanto vocês, mas eu não quero. E não quero ser lembrado por ter vivido e escrito na época da lamentação. Lamentação gratuita. Porque quem mais lamenta, na verdade, somos nós, integrantes das classes média e alta, que estamos com tudo em cima. E isso é o mais engraçado: Nós, que mal temos problemas, somos os que mais reclamamos. Porque sinceramente, como disse o Erasto, eu não tenho coragem de dizer que eu tenho um problema enquanto tem gente passando fome na porta da minha casa.

E a pior parte de todo esse lamento é que ninguém faz absolutamente nada. Nada! Eu vejo muita gente reclamando, muita gente xingando o governo, muita gente xingando a classe alta – mesmo fazendo parte dela – e não fazendo nada para mudar a situação da qual eles tanto reclamam. E não é só isso, é uma situação da qual eles reclamam simplesmente por estar na moda protestar de graça! Tanto porque a maioria deles nunca sentiu na pele os problemas dos quais reclamam, repetindo as palavras que eles ouvem na tevê, ou da boca de pais e professores. É reclamação gratuita, sem nem mesmo saber o que significa a reclamação que fazem, e sem fazer qualquer coisa em relação a ela. Agir que é bom, neca! Uma coisa é reclamar porque tá na merda, ou porque tá puto porque os outros estão na merda. Outra é reclamar porque acha bonito. Quer fazer porque é bonito, então vai pro big brother. Lá você vai encontrar pessoas como você. Porque crítica destrutiva não ajuda ninguém.

E agora, vem a comédia da nossa história. E sim, apesar de me incluir nesse meio, o ridículo dessa história. É a nostalgia daquilo que não foi vivido, como escreve o Tadeu no seu blog. É engraçado pensar nisso. É um algo do qual tenho tentado falar durante um tempo, e que o cara conseguiu retratar de forma perfeita: Uma nostalgia do que não vivemos. Esse nosso sentimento de vazio, de “bons tempos aqueles”. Bons tempos aqueles que não tínhamos nem nascido ainda? Bons tempos aqueles em que o Chico Buarque era jovem? Que a penicilina era “moderno”? Apesar de também compartilhar esse sentimento, que na minha opinião vem do simples vazio, dessa lacuna criada entre a estética artística e filosófica do século XX, e o que está por vir.

Eu me sinto como numa calmaria. É aquele período em que alguns românticos viraram e falaram “Aí, já perceberam que a gente escreve a mesma merda dês de que Napoleão perdeu a guerra?” “Ih, é mesmo, que merda. Vamo mudar”. Para mim, podemos ser a geração que começa a pensar, “que caralho, a gente só fala das mesmas merdas!”. Só não consigo encontrar a ânsia pelo novo. Ao invés de querer criar algo, a gente reclama do tempo ter passado. Tempo esse que nem passou por nós, porque era um trem que já havia partido. Bonito, bonito.

Outra maneira de ver as coisas

Amazônia. Grandeza incomparável. Majestade incontestável. Única posse do Brasil cobiçada pelo mundo inteiro. Única posse do Brasil cobiçada de tal modo a ponto de sugerirem que seja um território internacional. Uma riqueza incomparável: É a maior fonte de água do planeta. O Oceano Amazônico é algo incomparável em qualquer outro lugar. Em continente algum, cercado por qualquer uma das grandes massas florestais, Pacífica, Índica ou Atlântica, existe uma massa de água tão gigantesca, tão exuberante. Tamanha quantidade de água em um só lugar não pode causar nada menos do que espanto. Porém, o Oceano está se tornando irreversivelmente seco. Com tantas coletoras ilegais em suas águas, em busca do comércio fácil do diamante líquido, a baixa fiscalização, e a mineração em suas profundezas e em suas costas, os pesquisadores não dão nem mesmo cem anos para se secar completamente. É dessa afirmação que os cobiçosos países de outros continentes tiram seus argumentos para defender a internacionalização de suas águas; Medida esta tão absurda, levando em consideração de que o Oceano sempre esteve sob a soberania brasileira. O governo propõe novas medidas para a sua proteção: Melhor fiscalização das coletoras, e punição para a compra e venda da água ilegal, sem selo de garantia. Igual medida seria dada para a extração de sais. Alguns falam em transformar as empresas coletoras de água em estatais, mas aí eu já não concordo. Outro dia li em algum lugar um texto em que o escritor falava da Amazônia como floresta. Era curioso. Loucura? Não, não. Para mim, é só uma outra maneira de ver as coisas.

Dez Anos de Internacionalização

Por Deus, dez anos, ele pensou. Faziam apenas dez anos! Um imenso deserto se estendia à sua frente. Naquela nova mistura, de cerrado, caatinga nova e resquícios, o ex-presidente amargou seu arrependimento. Bastaram apenas dez anos para que um todo restante se juntasse ao nada. Milhares de anos de estabelecimento, crescimento, vida. E em dez, tudo foi destruído. Para limpar a consciência, jogou a culpa para aqueles demagogos que convenceram de que era o melhor, para depois passarem anos em discussões infrutíferas, enquanto todo o mal era feito. O arrependido olhou mais uma vez para os restos daquela antiga explosão de vida, antes de submergir em seus próprios pensamentos.

Faziam dez anos dês da internacionalização. Depois de anos de lobby, aqueles que queriam tirar proveito de tal ação, finalmente convenceram o resto do mundo de que o errado era o melhor a se fazer. Diante da negativa do governo, barreiras comerciais foram armadas, a diplomacia do país foi minada, e sob ameaças de invasão, finalmente o presidente assinou a carta que internacionalizaria a Amazônia.

Mas sua ação em nada o ajudou. A oposição logo atacou com belas palavras a atitude do presidente, como se ele tivesse outra opção, e o povo seguiu o que a televisão ditou: Irados, homens e mulheres, estudantes, operários, servidores públicos, artistas, todos saíram às ruas para pedir a cabeça do homem que cometera a heresia de abdicar a grande floresta brasileira. Houve então o segundo impeachment da história do Brasil: A cassação do presidente quase foi seguida pelo seu assassinato, em incontáveis tentativas, de pessoas completamente diferentes umas das outras.

Logo, um movimento revolucionário se formou: Os Reais Soberanos da Amazônia, formado por um grupo de pessoas dispostos a lutar contra a internacionalização. Anti-heróis exaltados como heróis nacionais pelo povo, assim como os cangaceiros haviam sido um dia, marcharam orgulhosos em direção à grande floresta. Porém o próprio caminho parecia estar contra eles. Madeireiros, mineiros, calor e doenças tropicais rapidamente opuseram-se à sua passagem. Morreram como cachorros, assim como os cangaceiros um dia foram. E o pior: morreram sem saber que nunca lutariam contra ninguém. A internacionalização da floresta, na verdade, constituiu-se na retirada dos exércitos brasileiros, e o fim da responsabilidade do governo brasileiro sobre as matas. Exército algum ali baixou definitivamente para ocupar o lugar, além das forças da ONU que entraram para fiscalizar a desocupação da floresta pelos agora invasores brasileiros.

Bastaram apenas alguns meses, e logo madeireiros, mineiros, traficantes, e todo tipo de vigaristas perceberem e agarrarem a chance do século. E assim começou o fim. O governo brasileiro levaria alguns meses para desocupar por completo a Amazônia. Durante esse tempo, as forças da ONU e o exército brasileiro estariam na região, fiscalizando a desocupação para que nada de errado ocorresse. Mas assim que as forças militares do Brasil estivessem detrás das novas fronteiras, eles estariam livres para fazer o máximo de lucro possível antes que os Estados Unidos e a ONU estabelecessem as leis sobre a área internacional, e criassem um sistema de fiscalização eficiente.

E assim, os primeiros anos internacionais da Amazônia foram marcados pela anarquia. Inicialmente, nem as madeireiras conseguiram ter algum poder. Motins surgiram entre todos os grupos possíveis, e a Amazônia tornou-se o novo caribe dos piratas. Grupos de baderneiros se juntaram em saques pelas cidades de toda a floresta. Então, os moradores das matas logo perceberam que só poderiam sobreviver se fossem iguais àqueles malucos, e passaram a se organizar em milícias para proteger suas casas.

Diante da situação alarmante, cada cidade enviou pedidos de socorro para as antigas capitais, mas estas nada podiam fazer além de repassar a mensagem para seus antigos e novos soberanos: Eram portos seguros pelo seu tamanho, e não possuíam o menor desejo de perder esse status enviando forças policiais ou milícias ao auxílio de cidades menores. As forças da ONU que estavam presentes nas matas logo foram destruídas, ou incorporadas aos grupos de bandidos e saqueadores, que conheciam infinitamente melhor a floresta. Esses grupos, armados com o equipamento internacional, foram se tornando cada vez mais fortes. A situação foi piorando durante dois anos, enquanto o Brasil se recusava a enviar exércitos para a floresta, alegando que fora o único contra a internacionalização. Finalmente, os EUA, sob pressão, enviaram suas forças, que demoraram mais um ano para conseguir diminuir a incidência dos saques.

Durante todo esse tempo, traficantes de todos os cantos estabeleciam-se pela floresta, abrindo gigantescas clareiras na floresta para o cultivo de drogas. Como seu objetivo era plantar sem problemas com a fiscalização, mal se incomodaram com o solo infértil: O adubo era caro, mas valia a pena. O tráfico se fortaleceu, enquanto o número de usuários aumentava por todo o mundo. Drogas de qualidade por um preço tão baixo atiçavam ainda mais a curiosidade de futuros viciados.

No quarto ano, a situação havia melhorado consideravelmente na Amazônia: A anarquia continuava, mas as forças eram agora mais concentradas. Baderneiros se juntaram para enfrentar os exércitos americanos, que os cassavam floresta adentro. As próprias forças armadas americanas tornaram-se o alvo dos bandidos. Enquanto isso, madeireiras e mineradoras, ambas ilegais, aproveitaram para fazer sua entrada triunfal, rumo à segunda fase da destruição. Abriram caminho por entre índios, piratas, e safados que estavam embalando e vendendo a água dos rios, ainda limpos, e fizeram a sua festa. Melhores organizados, equipados e em maior número, atacaram sem piedade qualquer um que entrasse no seu caminho. Moradores da floresta repetiam o gesto de abraçar as árvores, e eram cortados junto a elas, madeiras sangrentas que seriam vendidas por todo o mundo transformadas em cadeiras e mesas.

Logo, os astronautas, também internacionais, na também internacional estação espacial, podiam ver furos sendo feitos na camisa verde que cobria o peito da América do Sul. O exército americano passou a perseguir também as madeireiras, mas enquanto eles interrompiam o trabalho de uma no antigo Acre, uma nova mineradora estava auxiliando outra madeireira a limpar o terreno, no norte de Roraima, para extrair todo ferro, ouro, cobre, ou quaisquer outros minerais que conseguissem encontrar. Em tal confusão, já propícia pelo próprio clima de Brasil na ex região norte do país, grupos de soldados começaram a desertar, juntando-se a madeireiras, bandidos, e traficantes, procurando uma forma mais fácil de ganhar a vida.

E mais três anos se passaram enquanto políticos de todo o mundo discutiam, incessantemente como seriam as leis internacionais da Amazônia. Faziam sete anos dês de que a floresta tornara-se internacional. Aí já não restavam cinqüenta por cento da antiga majestade sul-americana. Militarmente, a Amazônia havia se tornado um segundo Iraque para os norte-americanos. Ou talvez um segundo Vietnam. A pressão em todo o mundo crescia, junto com todos os problemas globais trazidos pela industrialização excessiva. E foi aí que então o Brasil declara guerra à Amazônia internacional.

Em uma carta ao mundo, o novo presidente brasileiro, reeleito, diz que perante o descaso feito pelo restante do mundo em relação ao antigo território nacional, o Brasil reivindica a posse sobre a sua floresta, que nunca deixou de ser brasileira enquanto internacional. Alarmados, os norte-americanos pressionam a ONU, que liberam uma carta de leis sobre a floresta internacional, junto a um ultimato ao governo brasileiro, proibindo a invasão pelas tropas sul-americanas. Uma guerra sangrenta é travada, com direito a muito napalm, e muita guerrilha, e de forma inexplicável, ambos os exércitos se retiram da floresta, com todas as suas forças esgotadas. A paz é feita, com a Amazônia repartida entre o Brasil e os EUA. O Brasil fica com o terço mais oriental do antigo estado do Amazonas, e tudo o que há a leste, junto ao estado de Rondônia. Os Estados Unidos anexa O restante da floresta, como território nacional norte-americano, na América do Sul. Toda essa guerra dura dois anos, e é necessário mais um ano para o governo e as forças armadas se restabelecerem na nova região norte. Já não restam dez por cento da floresta, nesse estágio. Uma horrível cicatriz marca a face da América do Sul, agora sem sua exuberante cabeleira verde. Melancólico, o cerrado ganha terreno sobre a antiga floresta, que em tão pouco tempo foi destruída quase que por completo. Durante toda a guerra, as madeireiras não cessaram de cortar sua madeira, enquanto os exércitos faziam a sua parte do estrago nas matas.

E hoje, no final desses dez anos, o ex-presidente olha uma última vez, todo aquele estrago. Uma gigantesca floresta reduzida a nada, em tão pouco tempo. Um triste fim para milhares de ano de crescimento, milhares de anos de milhares de árvores, vivendo e morrendo, crescendo por centenas de anos, ou por apenas uma dezena. A vida de milhares de animais, hoje mortos, extintos, ou expulsos para outras regiões. Milhares de vidas, e heranças de milhões de vidas, que antecederam aqueles que viviam ali durante esses dez anos. E essas vidas não se restringiam aos animais e as plantas, mas também eram os índios, que por proeza ou por sorte, sobreviveram à invasão anterior, dos ibéricos. Pena a Amazônia ter feito parte do Brasil: País este que foi criado para ser explorado, e está destinado a ser explorado por quem se dispor, para sempre. País este que como um filho mais velho, maltratado pelos pais, explora e espanca o irmão mais novo, que nada tem a ver com isso. Esse irmão mais novo que já foi o índio, esse irmão mais novo que já foi o escravo negro, esse irmão mais novo que já foi a mata atlântica. Esse irmão mais novo que hoje é o pobre, o analfabeto, aquele que, por ser menos favorecido, não pode também roubar e explorar, como todo bom brasileiro faz, e é explorado, como todo bom brasileiro é.

Pensando em tudo isso, o ex-presidente lamenta o dia em que assinou a carta da internacionalização. Triste, caminha de volta para o local onde fora deixado pelo helicóptero. E também pensa se teria sido diferente se não tivesse assinado a maldita carta. Se teria impedido alguma destruição, sendo que teria de haver guerra entre o Brasil e o mundo, pela soberania da floresta. Pensa se ao menos poderia não ter assinado aquela carta, ou se teria sido obrigado por alguém, preocupado com a segurança da nação. Pensa se realmente fora a sua culpa. Com uma melancolia crônica, entra no helicóptero. Olha para trás, como se desse adeus à antiga localização da floresta. Enquanto a máquina sai do solo, uma lágrima cai dos olhos do infeliz, talvez apenas pela força da gravidade.

Politicagem

É até bonito como tudo no mundo hoje em dia está entrando em colapso. Não sei, eu acho que eu sou meio maluco mesmo, mas eu sinto um prazer quase sádico nesse caos que vem dominando quase tudo que tem no mundo. Mas muito do que acontece no mundo hoje é pela própria cegueira das pessoas.

Pra mim não existe mais sentido algum na forma que a nossa política é organizada. Na nossa democracia, ou você é de direita, ou é de esquerda, e se não é nenhum dos dois, você é um imbecil. Já não há sentido nessa organização dualista de governo, levando em conta o ponto crítico e irreversível ao qual chegamos. Chegamos a um ponto onde o socialismo morreu, e o capitalismo começa a morrer.

O capitalismo visa como objetivo o enriquecimento máximo, visando o máximo de lucro possível, com o menor gasto. Então, o burguês capitalista toma como filosofia de vida o lucro acima de tudo, independente do que for. Porém, vivendo esse objetivo durante duzentos anos, com total certeza de que os recursos naturais são inesgotáveis, finalmente conseguimos uma façanha que ser vivo algum conseguiu: modificar o mundo em que vivemos de tal forma a causar um estrago irreversível, causando o adoecimento da Terra, que agora começa a ter febre para matar os malditos seres patogênicos que a atingiram. Ou seja, chegamos a um ponto em que conseguimos até mesmo alterar o clima do planeta, que agora parte rumo ao aquecimento total, pela grande concentração de gases do efeito estufa!

Então esse capitalismo começa a morrer, a mudar o seu principal pilar, do lucro, já que se continuássemos visando o lucro acima de tudo, teríamos o maior lucro possível durante mais cinqüenta anos, e depois não teríamos mais lucro algum, ou prejuízo, ou qualquer outra coisa, pois estaríamos todos mortos! E entre a vida e o lucro, acho que até um dono de banco escolheria a vida.

Logo, com o mundo entrando em colapso, e nós, teimosos continuando a seguir a nossa vida como se nada estivesse acontecendo, é de se esperar que todo o resto entre em colapso. E é o que acredito que acontecerá com a nossa política, e na verdade, acho que já começou, no Brasil e no mundo. Pois essa divisão entre esquerda e direita já não faz sentido algum nos tempos vindouros.

A tempestade que o tempo está aos poucos trazendo para cima de nós não admite muito que nos preocupemos com essas coisas pequenas de posição política. Principalmente porque mesmo se não estivéssemos prestes a enfrentar um mundo tão grave quanto o que está por vir, ainda assim, foi-se o tempo em que a esquerda e a direita eram eficientes. A denominação esquerda e direita surgiu formalmente durante a revolução francesa, quando o Terceiro Estado se dividiu entre Girondinos, ou alta burguesia, Jacobinos, ou baixa burguesia, e Pântano, que continha de tudo um pouco. Mas dês de que a primeira forma política apareceu, já há essa divisão entre aqueles que desejam dividir a riqueza, e tornar todos iguais, conservadores dos tempos anteriores à organização política formal, e aqueles que desejam concentrar a riqueza, ou tê-la apenas para si próprio.

Então dês de que o mundo é mundo há a direita, que tem como preocupação principal o lucro, e como público a alta sociedade, e a esquerda, preocupada com o povo, e que tem como público sua própria preocupação. E o grande problema é que nos tempos de hoje, a única preocupação principal que tem espaço, na verdade, é o próprio mundo. Isso porque se tomarmos qualquer outra como principal, seremos simplesmente descartados, extintos.

É claro que no conceito de mundo, está incluso também o lucro, e o povo. Mas essa divisão de preocupações veio nos tempos em que Descartes era novidade, onde ela era cabível. Nos tempos de hoje, para se obter lucro é preciso ajudar o povo, e para ajudar o povo é preciso obter lucro, portanto, eu simplesmente não consigo entender como ainda nos organizamos em direita e esquerda. Vejo muitas pessoas se denominando apolíticas, ou se juntando à bandeira do anarquismo por não ter posição, e pensar que o estado se tornou um mal maior do que o bem que ele faz. Eu não penso assim. Só penso que a minha escolha de político não depende de forma alguma de posição política, pois isso não existe mais. Essa divisão perdeu seu valor, pois o político deve ser eleito para lutar por suas idéias, que refletem a idéia de seus eleitores, e hoje em dia existem muitos políticos que estão num partido de direita por algum motivo, e ao mesmo tempo tem preocupações reais para com o povo. E muitos políticos estão num partido de esquerda, e são criticados por ao chegarem ao poder agirem de forma com que o país tenha lucro.

A direita e a esquerda não existem, pois dependem do referencial. Portanto, eu acho que se deveria existir uma reforma política no país, seria para acabar com essa diferenciação. Nesse nosso mundo, repleto de estereótipos, esse é só mais um. E estereótipo algum é bom.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Uma visão do três

Algumas religiões dizem que o sete é um número sagrado. Outras, dizem que o nove é um número celestial, absoluto. Já para Aristóteles, o quatro era esse número. Dizia ele que o mundo era formado por quatro elementos, portanto havia também, quatro humores que regiam o ser humano. Bem, para mim, se existisse mesmo um número sagrado, seria esse o três, que realmente é sagrado, mas para os católicos. Dês de que me dou por gente, esse é um número coincidentemente presente na minha vida (e realmente dês de sempre, já que nasci no dia três de dezembro, e, se eu fosse como o Zagalo, diria que 12/3 = 3).

Vários momentos importantes da minha vida aconteceram em dias e mês três. Meu nascimento, o início de namoros, provas, formaturas, acidentes, acontecimentos no mundo, e coisas mais. Porém não vim aqui para falar de superstições que nem mesmo tenho. Porém o três realmente rege várias coisas, na minha forma de pensar. Eu por exemplo não consigo pensar em ter qualquer coisa com uma menina que eu não conheço. Alguns falam que eu sou tímido, outros me chamam de viado. Mas eu tenho algum motivo, uma questão de princípios emocionais. Não princípios morais, ou algo do tipo, mas uma necessidade social que eu tenho. Para mim existem três (olha ele aí) pontos que fazem nos sentir atraídos uns pelos outros.

Primeiro, há a atração física, completamente extintiva. É o nosso traço animal, que preza pela sobrevivência da espécie, ou, em outras palavras, é a nossa necessidade de sexo. Todo mundo sente falta de uma boa transa. E isso é o nosso extinto em ação. Outro ponto é o psicológico, o social, aquele que nos faz gostar de uma pessoa por causa da conversa que conseguimos ter com ela. Essa aí sozinha cria as melhores das amizades, e ao mesmo tempo é essencial pra um relacionamento mais profundo dar certo durante um tempo. É puramente o nosso cérebro, a nossa cabeça reclamando o espaço dela. E finalmente, há a atração emocional, o amor, ou qualquer outro nome que queiram dar pra ele. Ele é o verdadeiro essencial para um relacionamento. Sozinho cria um amor platônico, aquele amor inatingível, idealizado, sem levar em conta quaisquer outras características da pessoa. É a exata manifestação do “coração”.

O amor somado a qualquer uma das duas outras pode criar uma relação verdadeira, no meu caso. Mas o ideal é que existam mesmo as três. O três cria um equilíbrio perfeito num relacionamento, pois seria como se ambos estivessem completos. Claro que isso só ocorre quando estamos falando de gases ideais, mas chega bem perto, e pode dar muito certo durante bastante tempo.

Santíssima trindade e três porquinhos!



texto de 14 de fevereiro de 2007.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Desabafo de uma loucura

Basta! Esqueça dos seus sonhos, descarte suas fantasias! Acho que está muito tarde para desejar. Muito em cima para lutar. O melhor mesmo é se conformar de que nada vai ser diferente. Porque não vai. Decreto que a partir de hoje todo homem ajuizado, cidadão do mundo, está proibido de sonhar; É assim melhor para o mundo, e sua segurança. Os sonhos existem para criar mudanças, e eu digo que nada vai mudar.

Está, então, exaurida toda a esperança! Pois se não há possibilidade de mudar, os portadores da esperança, insatisfeitos e injustiçados, estão condenados. Seus sonhos se tornarão pesadelos escuros e maldosos, e logo a loucura e a revolta se instalará entre todos.

Matemos então todos os idosos! Destruamos então as matas! Deixemos a fome se alastrar, feliz! Continuemos a produzir armar cada vez mais sóbrias, mais frias, sérias; mais letais! Deixa a guerra rolar! Deixa o menino matar! Roubar! Droguemos-nos, de drogas podres, pesadas, até não haver mais volta! Que diferença faz? Nós, que lutamos pelo futuro, somos apenas a merda dos porcos mesmo. A sociedade é podre, o capitalismo selvagem é desequilibrado, os políticos são corruptos, sim! Vamos rir, beber e brindar a todos eles! Todos eles se merecem. E não vamos ser falsos, nós nos merecemos. Ninguém dá a mínima para tudo isso mesmo. O mundo fadado à desgraça, e nós comemoramos nossas futilidades, o casamento daquela atriz, a auto-suficiência do nosso petróleo. E daí que subirão três graus? E daí que morrem milhões por ano, só na África? Não toca no meu bolso nem no meu coração mesmo. Às vezes nos rende um “nossa” em frente ao sir William Bonner, mas quem liga? A população está inchada mesmo! Que morram, desocupem nossa querida e justa “Mãe Terra”, assim podemos plantar mais cana, fazer mais álcool, embebedar a população com a nossa moeda de barganha entre a Águia e o Dragão. E ninguém se preocupa com os corais em extinção. E todos continuam a matar, e a roubar, e muito bem, obrigado! “E agente tá tomando cada sapo no caminho, e agente vai se amando que, também, sem um carinho, ninguém segura esse rojão!”

domingo, 17 de junho de 2007

Escrever é sofrer

Ou faz sofrer. Maldita prisão de ventre mental! Ficar fissurado, igual um fumante sem cigarro, por causa de tinta e papel é foda. Não escrever porque não vêm idéias é pior ainda. E não conseguir escrever idéias guardadas na cabeça, querendo escrevê-las, sem motivo algum, já é assim, infernal. Infernalíssimo!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Motivo para desculpas

Pra tudo no mundo tem um motivo. Por isso, não ouso reclamar da minha vida: apesar de dores, ela é perfeita. Sempre se mostra perfeita, arquitetada por mim mesmo, com cada dor, cada problema, cada dor de cabeça se justificando na próxima encruzilhada. Já vi, muitas vezes, algo que relutei em perder, acabar me dando algo melhor em troca, ou algo mais importante, e quando não, já vi muitas coisas que se foram voltar.

É engraçado, nada na vida é definitivo. “Só a morte”, dizem uns, mas do jeito que tá, daqui a pouco nem a morte será, com todos esses malucos milionários comprando caixões criogênicos, e pagando os olhos da cara pra cura da morte, ou pra serem ressuscitados daqui a um milhão de anos. E por nada ser definitivo, mais uma vez deixo de me preocupar com o meu próprio futuro. Dane-se, que eu pare embaixo da ponte, escrevendo em jornal velho, com bosta de cachorro de tinta. Se for lá que eu vou parar, vou estar satisfeitíssimo. Porque sei que no mínimo, quando eu morrer eu vou sair de lá, nem que seja para ir pra baixo da terra, ou parar dividido entre um bando de animais, fungos e bactérias que participaram da minha decomposição.

É a linha natural da vida, você é formado através de bilhões de átomos, tomados por seus pais de todos os outros seres e de todos os ambientes da Terra, e vai se desintegrando durante a vida, voltando a fazer parte de tudo com perda de cabelo, pele, pelos. Até que um dia você volta, definitivamente a ser um amontoado de átomos, espalhados por tudo e todos. É engraçado pensar: somos eternos. Imortais. Só o nosso conceito de imortalidade que está errado. A eternidade, num mesmo corpo, não existe, mas é real a partir do momento em que, quando você morre, sua matéria (que de sua não tem nada) passa a fazer parte de outros, e depois de outros, e mais outros, até que um dia não exista matéria alguma! Sabia que cada ser humano possui algo em torno de alguns milhões de átomos de Einstein, Da Vinci, Van Gogh, Sócrates? Eu fico muito feliz com isso. Me faz pensar que eu não sou um gênio. Sou vários. E qual o motivo de tudo isso? Perpetuar a vida, em matéria.

O que dói é que às vezes é mais confortável não crer nos motivos da vida pra tudo isso. Ou menor, das pessoas. É quando algumas pessoas fazem coisas nas quais não queremos acreditar. E procuramos não ver motivo pra isso, porque seria doloroso demais haver um motivo. Prefiro não pensar. Prefiro achar que elas não fizeram isso de propósito. Ou que elas não fizeram. Prefiro pensar no segundo braço, de que nada é definitivo, nem mesmo nossas escolhas, nem mesmo nossas ações, nem mesmo o que ficou no passado, finalizado. Alguma hora alguém vai ter que reabrir essas conclusões mal-feitas, e continuar a história toda.

É impressionante como uma reação sutil pode estragar toda a nossa vida. E eu sou o rei dessas sutilezas, e me odeio por isso. Quase não consigo acreditar: Como consigo não perceber essas pequenas grandes merdas que eu faço, se sou tão sensível a elas? Inacreditável. São pequenas coisas assim, palavras erradas nas horas erradas, faladas da forma e no tom errados. Foge da melodia, e uma única nota dissonante estraga a música, uma única figura fora do lugar mata a poesia. E eu sou o rei de tudo isso. Mil perdões a todos que já se magoaram por causa dessas pequenas grandezas. De verdade.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

E por que a preocupação?

E por que a preocupação? Você está muito bem. Às vezes, eu queria até não estar tão bem. Queria ter algo sério de verdade para me tirar o sono, problemas reais. Pois os problemas trazem à tona um dos mais primordiais extintos do homem: O de resolvê-los. A minha geração sofre desse mal. Se preocupa com pouco, como se fosse um desastre. Às vezes desejo que aconteça mesmo um desastre pra quem pede, para verem que não têm problemas. Às vezes eu desejo mesmo que aconteça um desastre, comigo. Me faria parar de me preocupar com pouco. Mas esse é o mal da minha geração, não é? Ou será da minha idade?

Sofremos mesmo sem ter nada sério para se preocupar. E esse é o maior problema. Não é sofrer à toa, pois o sofrimento pode ser bom. Mas a ausência de problemas! Se tivéssemos problemas reais deixaríamos dessa mania hiperbólica. E além do mais, os problemas trazem lições, são aprendizados. Nos fazem pensar, refletir, nos fazem capazes de assimilar mais da complexidade da vida.

Andando nas ruas, sinto minhas costas fracas, me causando uma sensação incômoda, fazendo com que eu me curve. Como se carregasse um grande peso, uma grande angústia. O peso do vento. Pois não há sofrimento algum para gerar essa angústia. Muito pelo contrário, a vida me vem sendo leviana! Eu sofro da privação de sofrimento. Sou impedido de desfrutar do luxo de sofrer, de ter problemas, de ter algo que me leve a meus limites, me teste. Sou impedido de ter algo que me dê impulso, algo para me compelir para frente, para me inspirar através de uma grande dor... Vivo essa frustração, de ser obrigado a ser medíocre. A ser pouco, a ser pequeno. Não tenho contra o que lutar, para quem perder. Ou algum líder para seguir, razão para me sacrificar, utopia para me inspirar. Ideal para seguir. Dostoievski disse que “Para se escrever bem, é preciso sofrer, sofrer”. E de que sofro eu?

domingo, 10 de junho de 2007

Devaneios Sinestésicos

Saiu para comprar doce. Voltou sem doce. O indócil sentimento de ânsia dava toda a doçura da situação. O direito de ser egoísta. Como na ausência de todos, podia se dar a esse luxo. O gosto amargo do desejo não realizado começou a tomá-lo, docemente. A amargura do sentimento de derrota começou a arrebatá-lo, súbita. Exercendo seus direitos, resolveu não dar-se por vencido, revolto. Como se sentisse o cheiro do proibido, olhou, cobiçosamente, os armários. Vasculhando, tateou um cheiro adocicado. Encontrou uma caixa, e amargou sua angústia. Trancado no armário, o chocolate amargo sorria, docilmente, para ele. Das suas memórias mais profundas, lembrou do sentimento da irrealidade de quando tomou um doce. Num ímpeto selvagem, socou o vidro. Azedou sob a dor, e conteve a vontade de gritar, levando a mão à boca. O gosto amargo do sangue contrastou com sua doce vitória. Pegou a caixa, saboreando o chocolate, com os dedos. A visão da doçura daquelas pequenas esferas de cacau e leite, era inebriante, quase erótica. Seu sangue exalava um cheiro forte, salgado. A dor mordia insistentemente sua mão, em vão, pois todo o seu corpo se contorcia com a doçura do prazer. Os pequenos quitutes, guardados há tanto tempo, eram ouro, incenso e mirra, e o poder que sua aquisição trazia a ele o corroía, acidamente. Pensou, e lutou contra si mesmo para decidir quem ficaria com aquele tesouro, e o amargo doce gosto da derrota e da vitória o fizeram chorar, de dor e felicidade. Ou talvez fosse o ferimento, que continuava incessante e insistente, mordendo sua moral. Sua paranóia tornou-se azeda, e toda aquela doçura ameaçou passar, enquanto tentava proteger seus doces de si mesmo. Até que, amargamente, deu-se por vencido, perdendo a batalha contra si mesmo, e seu poder tirano se impôs, pela lei do forte, a seus antagonistas perdedores. Amargo em sua doce vingança, pisou cruelmente, de forma sádica, em cada um dos insossos derrotados. Fez-se demorar um pouco mais, antes de enfiar o doce na boca. O cheiro da vitória era delicioso, e o prêmio foi o gosto lindo causado pelo chocolate amargo. A doçura da situação era essa. O direito insano de ser egoísta consigo mesmo.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Carta de Indignação

Caros idéias, sentimentos, personalidades. Venho, por meio desta, expressar minha impaciência, meu desapontamento, e sim, meu desprezo para com as atitudes, e escolhas, que vêm tomando em relação à realidade, tão irreal. Pois de tudo que é errado, o ápice é a inação, a estagnação, a imobilidade e imutabilidade dos seres, e de tudo aquilo relacionado a estes.

Indigno-me com suas ações, tão baixas, de reclamar em vão, e de se recusar a ter o poder de mudar aquilo que considera errado. A mesquinhez que impera em sua essência, tão mentirosa e covarde por sobrevivência, é inadmissível enquanto verdadeira. Pois mentiroso é aquele que diz que não é permitido fazer, pois lei universal alguma proíbe qualquer ser de realizar qualquer ação que não contraria as leis físicas e naturais, que também só são leis no campo lógico, perdendo seu valor ao entrar no campo quântico. Minha raiva se concentra na falta de coragem de simplesmente negar a realidade, de simplesmente deixar de aceitar que é preciso descer baixo para viver entre as pessoas, que é preciso se rebaixar para ser compreendido, de simplesmente negar o luxo da sua presença no nível da pequenez na qual as pessoas e afins se encontram hoje em dia. Pessoas estas que, como sempre, roubam tanto dos pobres embaixo de nossos narizes, matam inocentes que assim, entregam docemente seu tão precioso silencio, sem nem reclamarem seu direito de voz. Pessoas estas que como você, agem em prol de suas vontades, pelo seu próprio benefício, pela sua própria felicidade, quando na verdade, deviam estar agindo pelo seu prejuízo, pois prejuízo para uns é lucro para outros, e prejuízo para um é lucro para muitos. Através do seu próprio, seria então possível alterar as balanças que regem a vida hoje em dia, com o lucro acima de todos, com o valor do privado fazendo valer as leis aristocráticas, que teoricamente recompensa por mérito, por esforço, quando na verdade recompensa apenas a quem tem oportunidade de se esforçar.

Minha tristeza provém da enorme desigualdade criada por mim, que se recusa poder ter força para alterar a sociedade como ela é, viciada no poder do patrício, com crescimento constante do enobrecimento, que cada vez mais consegue distorcer, através de sua poderosa arma monetária, cada centímetro do universo, de uma forma que nem mesmo a gravidade é capaz. Este poder, que transforma ferramentas públicas em privadas, que torna o que deveria ser um dedo um braço, o estomago uma cabeça, a língua um cérebro. Minha insatisfação está para com ninguém além de mim, em minha teimosia na impotência social. Em minha inação em relação a tudo, em minha falta de vontade de mudar as leis físicas pelas quânticas, as sociais pelas éticas. Está em minha inaptidão para desacatar a autoridade, que não é menos autoridade do que eu próprio, e constantemente me desacata através das ações mais plurais, e das pessoas e personagens mais variadas. Está em minha passividade para com os governantes que desobedecem meu governo, estabelecido em leis escritas, escritas por ninguém menos que eu próprio, através do povo de meus antepassados, que corre no meu sangue. Eu estive lá ao estabelecer as leis que regem nosso país, através de muitos outros, e hoje, que estou aqui, reunido em uma só, me nego a autorização para fazer cumpri-las.

E assim, vivo a aceitar que o mundo esquente, que alguns poucos corram para os abrigos, enquanto o resto corre para o frio e fome, enquanto alguns roubam e ficam ricos, mandam matar e ficam livres, são inocentados injustamente e ficam felizes. Mas minha indignação não é para com estes, criaturas estas tão inocentes, tão sem culpa de nada, pois se assim agem, é porque assim são, e porque algumas pessoas são pequenas e restritas a estas ações. Pelo contrário, dou graças a Deus por assim serem, e por assim fazerem, porque se um dia um Grande chegasse a este ponto, não simplesmente roubaria ou mataria, mas com um país de tal tamanho como o nosso, levar-nos-ia a todos até o fim do mundo, tomando o governo de tudo e todos para si, e seria justo e terrível, duro, porém dolorosamente bom.

Pois então, minha indignação é então para com aqueles que não são pequenos, e que simplesmente não reagem à pequenez que hoje finge liderar alguma coisa a algum lugar. Minha indignação é para com meus olhos, que obedecem à ordem de se fechar, enquanto o policial bate no menino de rua por este pedir esmola na porta de um restaurante caro. É para com minhas mãos que não esbofeteiam a cara de quem se recusa, da forma mais deslavada possível, a pagar pelos serviços do pedreiro. É para com minha mente, que se fecha para a realidade, tão absurda e fantasiástica, daquele que mata uma criança para roubar trinta reais.

Portanto, exijo imediatamente, que as idéias transcendam à sua real existência, de idéias, utópicas, alterando a realidade da forma que convier para o que o mundo aja de forma real. Exijo que as personalidades de alterem, e se invertam, para que eu deixe de descer a escadaria da mediocridade para viver entre meus “iguais”, tão diferentes e menores do que eu posso ser. E por último, exijo que os sentimentos, em tamanha ebulição de revolta, se revoltem, e tomem partido na revolução do Ser, na revolução do Eu, sublevando o poder do sentimento cômodo de “eu não sou permitido”, “eu não sou capaz”.

Meus sinceros agradecimentos,

Francisco de Bulhões Mossri

Eclipse

Busco, em meus textos, não simplesmente expressar um pensamento, ou contar uma história. Mais que isso, busco expressar uma idéia, ou um sentimento, passar o sentimento que me levou a escrevê-lo, incluí-lo num texto, ou marcar, como um calendário através de letras, marcar o sentimento de um dia, um momento, uma fase. Busco expressar algo muito mais profundo que o que eu mesmo imagino buscar. Busco expressar em palavras um sentimento, descrever os sentimentos que levaram o cérebro e o coração me atacarem com este ou aquela sensação. Busco um impossível.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Pelo Amor de Deus!

Deus é mesmo um bicho sem noção. Pra quem acredita, claro. Porque, sei lá. Me faz pensar. Qual o sentido de existir um ser que criou tudo isso, que se auto designou pra governar tudo isso, e deixa tudo virar a pizza que é? Vai governar mal assim, hein! Um ser que criou tudo, e criou tudo meio torto. Será que nem na prática ele conseguiu fazer direito? Se existe deve ser um ser meio sádico. Sarcástico, num nível que agente não consegue entender. Ou se não, se não é o caso, deve ser mesmo um pai, deixando o filho meter a mão no fogo pra aprender que queima. Pra quem acredita, eu espero que assim seja, porque ao meu ver, é o único consolo pra quem o tem no coração, e vive com toda essa meleca em volta. Pizza de estrume, essa cidade. Esse país. Esse mundo.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Globalização

Nós realmente vivemos em um mundo muito moderno. E às vezes até eu, que nasci nessa era, fico impressionado com a velocidade que a vida anda hoje em dia, que cada vez acelera mais. Deve ser mesmo a globalização, a revolução nos meios de comunicação e transporte, a internet... Só pode ser isso.

Outro dia, eu tinha uma prova da olimpíada de matemática pra fazer, lá no Maristão. Quebrando meu costume, me levantei cedo, morto. Minha mãe me acordou, e – como às vezes acontece – deu na telha dela me fazer comer alguma coisa antes de ir. Enquanto ela preparava algo, fui procurar uma meleca duma calculadora. Acabei encontrando uma, bem comum, daquelas pretas com os números escritos em amarelo. Por acaso, enquanto eu tava vendo se estava funcionando direito, eu acabei reparando uma marquinha, parecia mais uma sujeirinha, na parte de trás. Como não dava pra limpar, e eu já tava me aborrecendo, meti a calculadora na bolsa, junto com o casaco, a caneta e o caderno, peguei aquele sanduíche integral delicioso com queijo branco e presunto, e fui pra prova.

Aí eu já não me lembro muito bem, se foi no ônibus, se foi na prova (que por sinal, não permitia calculadoras), a maldita da calculadora sumiu. E eu fiquei realmente puto com isso. Gastei um tempo precioso de sono – já que sou insone – pra procurar uma meleca, e ser roubado. Nessas horas quase dá vontade de encarnar um burguezóide e reclamar “Merda de país de terceiro mundo!”, mas eu não fiz isso. Mas que dá raiva, dá.

Eu acabei esquecendo a história da calculadora, até alguns dias atrás, quando fui à rodoviária. Em Brasília, a rodoviária consegue ser um dos lugares mais sincréticos; Tem gente de todo tipo. E em cima da rodoviária, num ponto exato entre o Conic e o Conjunto Nacional, tem uma espécie de feira, na verdade um monte de camelôs, que vendem de tudo. Aí eu lembrei da calculadora, e resolvi comprar uma nova, na volta. Estava indo ao teatro, quando vi um cara, que por coincidência estava vendendo uma calculadora. Então pensei, “puxa, que sorte a minha, não vou nem precisar procurar”. Perguntei quanto custava, e ele me falou que eram dois reais. Eu não tenho a mínima noção de preço dessas coisas, mas me pareceu razoavelmente barata, então comprei. Comprei, e me apressei logo ao teatro, pra pegar algum cronograma sobre as apresentações, pois adoro teatro, peças musicais, dança... Enfim, arte.

Mas então, no caminho, lembrei de checar se o cara não tinha me passado a perna, me vendendo uma calculadora vagabunda, que não funcionasse. Era preta, com os números escritos em amarelo, como a minha. E então percebi uma coisa que realmente me deixou pasmo. A calculadora tinha uma marquinha, parecia mais uma sujeirinha, na parte de trás. Então pensei, “puxa, será que é comum ter essa marca?!”. Deixei a luz do Sol refletir sobre a superfície, e aí veio a bomba. E aí sim eu fiquei puto. O grafite de lápis brilhou. O grafite brilhou, e quando parei pra prestar atenção na forma, percebi a clave de sol. Na minha letra! Minha própria caligrafia! Comecei a pensar se dava pra prestar queixa contra alguém que te vende algo que já é seu. Acho que não. Mas o mais impressionante é que não haviam se passado nem três dias! O mundo ta mesmo muito rápido. Bendita globalização.

domingo, 3 de junho de 2007

Dinheiro é cultura

Descobri que esse vazio que sentem todos da minha geração é resultado de onde chegamos, do tempo em que vivemos. Nós chegamos um período de transição, um conflito entre duas eras. Um conflito aberto em todas as frentes, entre todos e tudo. Um conflito velado entre uma cultura antiga, e uma cultura em processo de síntese. E o vazio, que muitos de nós sentimos, é criado pelo sofrimento daqueles que admiram essa cultura antiga, ao perceber que ela enfim está cedendo, abrindo espaço para o novo, para o moderno.

É o “progresso”. Mas o que muitos não conseguem perceber é que o “progresso”, que é o nome que damos de forma geral para avanço hoje em dia, nem sempre caminha para melhor. Na verdade, o “progresso” moderno nem sempre caminha para algum lugar, mudando-se para um caminho lateral, perpendicular ao tão querido avanço, este que também nem sempre avança pra melhor. E outra coisa que não percebem, é que a era da qual estamos saindo, também é uma que a muito está decaindo. Com o fim do reino do rock, que foi o último estilo musical a buscar uma idealização, uma perfeição em sua música, e conseqüentemente a riqueza, sobram os últimos da classe musical, já corrompidos pela cultura social do lucro acima de tudo, buscando apenas a riqueza, dragando a música de volta para seu estágio inicial, o mais simples e prático possível. Tomando uma batida única, e quebrando qualquer tipo de estética para compor as letras musicais, hoje os “músicos” conseguiram fazer a música retroceder milênios ao criar os estilos musicais mais populares de nossos dias. E por isso se condenaram a serem os últimos. A música se tornou tão simples que logo não precisará mais de músicos, pois um computador já dá conta do recado. Simplesmente aceitaram que a música não é nada mais que um pano de fundo para festas, como a grande maioria da sociedade pensa, e não tentaram de forma alguma mudar isso, resgatar o gosto pela música, já que o lucro vem mais rápido se simplesmente não movessem um dedo.

Durante todo o século XX, as pessoas foram mais e mais aderindo à cultura do prático, do lucro, do consumo, mas os estilos musicais das épocas anteriores sempre comportaram espaço para aqueles que realmente amavam a música, e não suas conseqüências. Mas os atuais finalmente fecharam essa porta.

E em todas as outras frentes, a história se repete. Vemos o raso e o descartável lentamente começarem a tomar os palcos, pelo besteirol. Porém é um processo que ainda possui seus opositores. No cinema, já está bem engatado, apesar de, de vez em quando, surgirem alguns Fidéis, para contrariar as leis da física de Hollywood. E é fácil perceber que o caminho é irreversível, e que se dará em todas as artes, inclusive a de pensar.

Alguns encaram isso como o fim do mundo. Eu vejo só como uma mudança. Ruim, porém só uma mudança. Eu digo então: Bem feito! Só não sei se existe alguém para vir dizer “Eu avisei!”. Pois parte da culpa disso tudo é daqueles que se rotulam “cult”. É um grupo hoje crescente, que antes estavam no grupo dos artistas, dos apreciadores da arte, revolucionários, criadores da arte. Hoje, revolucionários sem revolução. Pois por algum motivo, os cultistas se resignaram a parar de criar, a apenas apreciar o passado. Aqueles que sabem ver como nosso passado é rico são muitos. Agora, os que levam esse passado adiante, a antiga tradição de criar, são muito poucos. Existem muitos, bons nas artes antigas. E raros que criam novas artes. Os “cults” dormiram. Passaram a pensar que só o fato de ser antigo, ou seguir uma velha estética, faz com que algo seja bom. E que só por algo ser novo, é ruim.

E daí, tornaram-se fantasmas. E se os que deviam criar por criar, criar por amor à arte, não apreciam mais o novo, não é a toa que os parasitas tomaram toda a cena da criação, tornando-a fútil e descartável. Vivemos, então, a cultura do dinheiro. Cultura passou a ser dinheiro, ou melhor, dinheiro virou cultura. Então, hoje vivemos o vazio, e a esperança nos híbridos, nos renegados de todos, aqueles que são cabeças-duras o suficiente para criar por criar. E não criar apenas por grana.

Sou um dos poços que estão em cima do muro. Não acho que é o fim do mundo, o ponto a que chegamos. Tampouco saúdo essa nova era, onde o dinheiro virou poder, e nem mesmo a inteligência usada para fins malévolos consegue vencer a sua força. Para mim é só uma decadência. Uma era onde o mundo retrocedeu, culturalmente. E não vou chorar o defunto da arte. Mas serei sempre saudoso a ele.

sábado, 2 de junho de 2007

Espaço

O espaço. São as três dimensões. Todo o mundo físico e material, tudo que há em volta de nós. É o vácuo, o enorme vazio, cheio de anti-matéria, ausente de luz em sua maior parte. Também é área, é o que podemos moldar, interagir, construir sobre ele, enche-lo; Ou destruir seu conteúdo, esvazia-lo.

Chamamos de nosso espaço o ambiente onde vivemos, onde podemos ir e vir. Nosso espaço é nosso mundo, e nosso Atlas Universal trata dele e do universo. Menor, é nosso país. O espaço geográfico das terras brasileiras. O nosso espaço é nossa cidade, nossa casa. Nós o medimos, o classificamos. Um grande espaço é medido em léguas, em milhas, em quilômetros. Um pequeno, em centímetros, em nanômetros. Não satisfeitos, nós tentamos sempre aumenta-lo. Como não podemos, nos enganamos, criando miragens. Um quilômetro, horizontalmente é um minuto, uma caminhadinha, um pulo. Um quilômetro, para cima ou para baixo, é um colosso, uma eternidade. Com isso, para parecer maior, agigantamos nossos prédios, arranhamos os céus, feridas que dificilmente sicatrizarão.

O espaço também é luz. Ele é a impressão dos nossos olhos. O espaço é império da visão, assim como a luz. E luz também é cor. Quanto mais luz, mais claro. Daí, saímos do preto ao branco, atravessando o arco-íris. E se o espaço é luz, o espaço é cor. E se mais claro significa mais luz, também significa mais espaço. E é aí que encontramos nosso pote de ouro.

Gente é um bicho engraçado. Um dia um maluco cercou um espaço e falou que era dele. Daí, o mundo passou a girar em volta do espaço. Daqui a pouco o espaço acabou, e as pessoas inventaram o espaço móvel. Porque se eu tenho espaço e você não, eu posso te dar um pouco em troca de algo. Espaço passou a ter valor. E para medir o valor criaram o dinheiro. Espaço é valor, então espaço é dinheiro. E logo todos queriam dinheiro, pois todos queriam espaço. E daí surge o interesso de aumentar o espaço. Espaço é dinheiro. E já que não podemos levar espaço para a feira para comprar coisas, então levamos dinheiro, que é espaço convertido em seu valor. E logo todos queriam dinheiro, para ter espaço. E a partir daí, algum louco fez com que todos confundissem as bolas. Porque dinheiro passou a ser posição, então posição passou a ser espaço. E para ter espaço em um grupo, ou em uma sociedade, era preciso ter dinheiro.

O espaço perde ser valor puramente físico. Passa a ser psicológico, e social. Ter espaço era ter dinheiro, e sem espaço, não somos ninguém. Perdemos nosso lugar entre as pessoas, passamos a ser escória. E nessa onda, o espaço deixa de ser universal, ou geográfico, ou mesmo físico. Passa a ser individual, privado, passa a ser uma idéia, uma lembrança vagam de tempos mais ingênuos, mais felizes. E dessa forma, o espaço consegue mais um meio de nos influenciar, nos manipular. Passamos a ter de batalhar pra sermos alguém, para ter o nosso espaço na sociedade. Perdemos o privilégio de termos nosso lugar por nós, do jeito que somos. O espaço passa a ditar a cultura, a influenciar a nossa forma de pensar, de nos expressar, de escrever, de mais uma maneira. Além do espaço natural, que por frio, por abundante ou por pequeno já mudava a cara de um grupo de pessoas, o espaço monetário, hierárquico, passa a ditar como países inteiros vivem. Lugares mais pobres passam a ocupar mais espaço físico, horizontal. Porém, perde sua existência na sociedade mundial, pois sem o espaço móvel, nos é negado o direito aos bens de conforto, à educação, e até mesmo às necessidades básicas de sobrevivência.

Se transforma, então, em um vilão. Um ditador, que define quem é bom, e quem é ruim para o mundo. Em bons espaços, nascem pessoas grandes. Em espaços ruins, pessoas sem destino. Porém foi nos piores espaços, mais difíceis para a sobrevivência, que a nossa espécie, e as outras, se desenvolveram primeiro, por razões de necessidade de sobrevivência. Quem sabe então, se um dia os esquecidos do espaço social um dia também florescem acima dos outros, como cisnes entre patos. É tudo uma questão de necessidade. E já é mais que necessário.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Revolução Russa

A industrialização da Rússia ocorreu com atraso de mais de um século em relação à Inglaterra, mas foi favorecida pelo fim da servidão, que liberou mão-de-obra, e pelos investimentos estrangeiros.

As péssimas condições de trabalho levaram os operários a se organizarem em torno de partidos com ideais socialistas. Divergências internas dividem o POSDR em bolcheviques e mencheviques.

Durante reprimidas, as rebeliões populares de 1905 fortaleceram as organizações partidárias e preparam o povo para a revolução.

A Primeira Guerra Mundial enfraqueceu ainda mais o governo Nicolau II. Em dois anos de luta, seu exército sofreu 7 milhões de baixas, entre mortos, feridos e desetores. A população civil padeceu com a fome e o desemprego.

Em fevereiro de 1917, o czar abdicou e foi instalada uma república liderada por Kerensky. Em novembro, os bolcheviques comandados por Lênin e Trotsky tomam o poder. Logo após, assinam a paz com a Alemanha, efetuam uma radical reforma agrária e nacionalizam bancos, indústrias e meios de transportes.

Os russos-brancos, apoiados pelas potências capitalistas (Inglaterra, França e EUA), resistem e iniciam uma sangrenta guerra civil que dura três anos (1918-1921), mas é vencida pelo Exército Vermelho.

Depois de duas guerras, a economia russa estava arrasada. Para recuperá-la, Lênin adotou a NEP, afrouxando alguns controles sobre os investimentos estrangeiros, o excedente agrícola e as pequenas empresas (menos de vinte funcionários).

Em 1924, Lênin morreu e foi substituído por Stálin, que passou a perseguir todos os seus adversários (principalmentos os adeptos de Trotsky), condenando centenas de milhares à morte e milhões ao exílio na Sibéria. Suprimiu A NEP e adotou os planos qüinqüenais. A URSS tornou-se, assim, uma grande potência.

Fonte: http://www.brasilescola.com/historiag/revolucao-russa.htm