Caros idéias, sentimentos, personalidades. Venho, por meio desta, expressar minha impaciência, meu desapontamento, e sim, meu desprezo para com as atitudes, e escolhas, que vêm tomando em relação à realidade, tão irreal. Pois de tudo que é errado, o ápice é a inação, a estagnação, a imobilidade e imutabilidade dos seres, e de tudo aquilo relacionado a estes.
Indigno-me com suas ações, tão baixas, de reclamar em vão, e de se recusar a ter o poder de mudar aquilo que considera errado. A mesquinhez que impera em sua essência, tão mentirosa e covarde por sobrevivência, é inadmissível enquanto verdadeira. Pois mentiroso é aquele que diz que não é permitido fazer, pois lei universal alguma proíbe qualquer ser de realizar qualquer ação que não contraria as leis físicas e naturais, que também só são leis no campo lógico, perdendo seu valor ao entrar no campo quântico. Minha raiva se concentra na falta de coragem de simplesmente negar a realidade, de simplesmente deixar de aceitar que é preciso descer baixo para viver entre as pessoas, que é preciso se rebaixar para ser compreendido, de simplesmente negar o luxo da sua presença no nível da pequenez na qual as pessoas e afins se encontram hoje
Minha tristeza provém da enorme desigualdade criada por mim, que se recusa poder ter força para alterar a sociedade como ela é, viciada no poder do patrício, com crescimento constante do enobrecimento, que cada vez mais consegue distorcer, através de sua poderosa arma monetária, cada centímetro do universo, de uma forma que nem mesmo a gravidade é capaz. Este poder, que transforma ferramentas públicas em privadas, que torna o que deveria ser um dedo um braço, o estomago uma cabeça, a língua um cérebro. Minha insatisfação está para com ninguém além de mim, em minha teimosia na impotência social. Em minha inação em relação a tudo, em minha falta de vontade de mudar as leis físicas pelas quânticas, as sociais pelas éticas. Está em minha inaptidão para desacatar a autoridade, que não é menos autoridade do que eu próprio, e constantemente me desacata através das ações mais plurais, e das pessoas e personagens mais variadas. Está em minha passividade para com os governantes que desobedecem meu governo, estabelecido em leis escritas, escritas por ninguém menos que eu próprio, através do povo de meus antepassados, que corre no meu sangue. Eu estive lá ao estabelecer as leis que regem nosso país, através de muitos outros, e hoje, que estou aqui, reunido em uma só, me nego a autorização para fazer cumpri-las.
E assim, vivo a aceitar que o mundo esquente, que alguns poucos corram para os abrigos, enquanto o resto corre para o frio e fome, enquanto alguns roubam e ficam ricos, mandam matar e ficam livres, são inocentados injustamente e ficam felizes. Mas minha indignação não é para com estes, criaturas estas tão inocentes, tão sem culpa de nada, pois se assim agem, é porque assim são, e porque algumas pessoas são pequenas e restritas a estas ações. Pelo contrário, dou graças a Deus por assim serem, e por assim fazerem, porque se um dia um Grande chegasse a este ponto, não simplesmente roubaria ou mataria, mas com um país de tal tamanho como o nosso, levar-nos-ia a todos até o fim do mundo, tomando o governo de tudo e todos para si, e seria justo e terrível, duro, porém dolorosamente bom.
Pois então, minha indignação é então para com aqueles que não são pequenos, e que simplesmente não reagem à pequenez que hoje finge liderar alguma coisa a algum lugar. Minha indignação é para com meus olhos, que obedecem à ordem de se fechar, enquanto o policial bate no menino de rua por este pedir esmola na porta de um restaurante caro. É para com minhas mãos que não esbofeteiam a cara de quem se recusa, da forma mais deslavada possível, a pagar pelos serviços do pedreiro. É para com minha mente, que se fecha para a realidade, tão absurda e fantasiástica, daquele que mata uma criança para roubar trinta reais.
Portanto, exijo imediatamente, que as idéias transcendam à sua real existência, de idéias, utópicas, alterando a realidade da forma que convier para o que o mundo aja de forma real. Exijo que as personalidades de alterem, e se invertam, para que eu deixe de descer a escadaria da mediocridade para viver entre meus “iguais”, tão diferentes e menores do que eu posso ser. E por último, exijo que os sentimentos, em tamanha ebulição de revolta, se revoltem, e tomem partido na revolução do Ser, na revolução do Eu, sublevando o poder do sentimento cômodo de “eu não sou permitido”, “eu não sou capaz”.
Meus sinceros agradecimentos,
Francisco de Bulhões Mossri
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