segunda-feira, 25 de junho de 2007

Politicagem

É até bonito como tudo no mundo hoje em dia está entrando em colapso. Não sei, eu acho que eu sou meio maluco mesmo, mas eu sinto um prazer quase sádico nesse caos que vem dominando quase tudo que tem no mundo. Mas muito do que acontece no mundo hoje é pela própria cegueira das pessoas.

Pra mim não existe mais sentido algum na forma que a nossa política é organizada. Na nossa democracia, ou você é de direita, ou é de esquerda, e se não é nenhum dos dois, você é um imbecil. Já não há sentido nessa organização dualista de governo, levando em conta o ponto crítico e irreversível ao qual chegamos. Chegamos a um ponto onde o socialismo morreu, e o capitalismo começa a morrer.

O capitalismo visa como objetivo o enriquecimento máximo, visando o máximo de lucro possível, com o menor gasto. Então, o burguês capitalista toma como filosofia de vida o lucro acima de tudo, independente do que for. Porém, vivendo esse objetivo durante duzentos anos, com total certeza de que os recursos naturais são inesgotáveis, finalmente conseguimos uma façanha que ser vivo algum conseguiu: modificar o mundo em que vivemos de tal forma a causar um estrago irreversível, causando o adoecimento da Terra, que agora começa a ter febre para matar os malditos seres patogênicos que a atingiram. Ou seja, chegamos a um ponto em que conseguimos até mesmo alterar o clima do planeta, que agora parte rumo ao aquecimento total, pela grande concentração de gases do efeito estufa!

Então esse capitalismo começa a morrer, a mudar o seu principal pilar, do lucro, já que se continuássemos visando o lucro acima de tudo, teríamos o maior lucro possível durante mais cinqüenta anos, e depois não teríamos mais lucro algum, ou prejuízo, ou qualquer outra coisa, pois estaríamos todos mortos! E entre a vida e o lucro, acho que até um dono de banco escolheria a vida.

Logo, com o mundo entrando em colapso, e nós, teimosos continuando a seguir a nossa vida como se nada estivesse acontecendo, é de se esperar que todo o resto entre em colapso. E é o que acredito que acontecerá com a nossa política, e na verdade, acho que já começou, no Brasil e no mundo. Pois essa divisão entre esquerda e direita já não faz sentido algum nos tempos vindouros.

A tempestade que o tempo está aos poucos trazendo para cima de nós não admite muito que nos preocupemos com essas coisas pequenas de posição política. Principalmente porque mesmo se não estivéssemos prestes a enfrentar um mundo tão grave quanto o que está por vir, ainda assim, foi-se o tempo em que a esquerda e a direita eram eficientes. A denominação esquerda e direita surgiu formalmente durante a revolução francesa, quando o Terceiro Estado se dividiu entre Girondinos, ou alta burguesia, Jacobinos, ou baixa burguesia, e Pântano, que continha de tudo um pouco. Mas dês de que a primeira forma política apareceu, já há essa divisão entre aqueles que desejam dividir a riqueza, e tornar todos iguais, conservadores dos tempos anteriores à organização política formal, e aqueles que desejam concentrar a riqueza, ou tê-la apenas para si próprio.

Então dês de que o mundo é mundo há a direita, que tem como preocupação principal o lucro, e como público a alta sociedade, e a esquerda, preocupada com o povo, e que tem como público sua própria preocupação. E o grande problema é que nos tempos de hoje, a única preocupação principal que tem espaço, na verdade, é o próprio mundo. Isso porque se tomarmos qualquer outra como principal, seremos simplesmente descartados, extintos.

É claro que no conceito de mundo, está incluso também o lucro, e o povo. Mas essa divisão de preocupações veio nos tempos em que Descartes era novidade, onde ela era cabível. Nos tempos de hoje, para se obter lucro é preciso ajudar o povo, e para ajudar o povo é preciso obter lucro, portanto, eu simplesmente não consigo entender como ainda nos organizamos em direita e esquerda. Vejo muitas pessoas se denominando apolíticas, ou se juntando à bandeira do anarquismo por não ter posição, e pensar que o estado se tornou um mal maior do que o bem que ele faz. Eu não penso assim. Só penso que a minha escolha de político não depende de forma alguma de posição política, pois isso não existe mais. Essa divisão perdeu seu valor, pois o político deve ser eleito para lutar por suas idéias, que refletem a idéia de seus eleitores, e hoje em dia existem muitos políticos que estão num partido de direita por algum motivo, e ao mesmo tempo tem preocupações reais para com o povo. E muitos políticos estão num partido de esquerda, e são criticados por ao chegarem ao poder agirem de forma com que o país tenha lucro.

A direita e a esquerda não existem, pois dependem do referencial. Portanto, eu acho que se deveria existir uma reforma política no país, seria para acabar com essa diferenciação. Nesse nosso mundo, repleto de estereótipos, esse é só mais um. E estereótipo algum é bom.

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