Nós realmente vivemos em um mundo muito moderno. E às vezes até eu, que nasci nessa era, fico impressionado com a velocidade que a vida anda hoje em dia, que cada vez acelera mais. Deve ser mesmo a globalização, a revolução nos meios de comunicação e transporte, a internet... Só pode ser isso.
Outro dia, eu tinha uma prova da olimpíada de matemática pra fazer, lá no Maristão. Quebrando meu costume, me levantei cedo, morto. Minha mãe me acordou, e – como às vezes acontece – deu na telha dela me fazer comer alguma coisa antes de ir. Enquanto ela preparava algo, fui procurar uma meleca duma calculadora. Acabei encontrando uma, bem comum, daquelas pretas com os números escritos
Aí eu já não me lembro muito bem, se foi no ônibus, se foi na prova (que por sinal, não permitia calculadoras), a maldita da calculadora sumiu. E eu fiquei realmente puto com isso. Gastei um tempo precioso de sono – já que sou insone – pra procurar uma meleca, e ser roubado. Nessas horas quase dá vontade de encarnar um burguezóide e reclamar “Merda de país de terceiro mundo!”, mas eu não fiz isso. Mas que dá raiva, dá.
Eu acabei esquecendo a história da calculadora, até alguns dias atrás, quando fui à rodoviária. Em Brasília, a rodoviária consegue ser um dos lugares mais sincréticos; Tem gente de todo tipo. E em cima da rodoviária, num ponto exato entre o Conic e o Conjunto Nacional, tem uma espécie de feira, na verdade um monte de camelôs, que vendem de tudo. Aí eu lembrei da calculadora, e resolvi comprar uma nova, na volta. Estava indo ao teatro, quando vi um cara, que por coincidência estava vendendo uma calculadora. Então pensei, “puxa, que sorte a minha, não vou nem precisar procurar”. Perguntei quanto custava, e ele me falou que eram dois reais. Eu não tenho a mínima noção de preço dessas coisas, mas me pareceu razoavelmente barata, então comprei. Comprei, e me apressei logo ao teatro, pra pegar algum cronograma sobre as apresentações, pois adoro teatro, peças musicais, dança... Enfim, arte.
Mas então, no caminho, lembrei de checar se o cara não tinha me passado a perna, me vendendo uma calculadora vagabunda, que não funcionasse. Era preta, com os números escritos em amarelo, como a minha. E então percebi uma coisa que realmente me deixou pasmo. A calculadora tinha uma marquinha, parecia mais uma sujeirinha, na parte de trás. Então pensei, “puxa, será que é comum ter essa marca?!”. Deixei a luz do Sol refletir sobre a superfície, e aí veio a bomba. E aí sim eu fiquei puto. O grafite de lápis brilhou. O grafite brilhou, e quando parei pra prestar atenção na forma, percebi a clave de sol. Na minha letra! Minha própria caligrafia! Comecei a pensar se dava pra prestar queixa contra alguém que te vende algo que já é seu. Acho que não. Mas o mais impressionante é que não haviam se passado nem três dias! O mundo ta mesmo muito rápido. Bendita globalização.
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