O espaço. São as três dimensões. Todo o mundo físico e material, tudo que há em volta de nós. É o vácuo, o enorme vazio, cheio de anti-matéria, ausente de luz em sua maior parte. Também é área, é o que podemos moldar, interagir, construir sobre ele, enche-lo; Ou destruir seu conteúdo, esvazia-lo.
Chamamos de nosso espaço o ambiente onde vivemos, onde podemos ir e vir. Nosso espaço é nosso mundo, e nosso Atlas Universal trata dele e do universo. Menor, é nosso país. O espaço geográfico das terras brasileiras. O nosso espaço é nossa cidade, nossa casa. Nós o medimos, o classificamos. Um grande espaço é medido em léguas, em milhas,
O espaço também é luz. Ele é a impressão dos nossos olhos. O espaço é império da visão, assim como a luz. E luz também é cor. Quanto mais luz, mais claro. Daí, saímos do preto ao branco, atravessando o arco-íris. E se o espaço é luz, o espaço é cor. E se mais claro significa mais luz, também significa mais espaço. E é aí que encontramos nosso pote de ouro.
Gente é um bicho engraçado. Um dia um maluco cercou um espaço e falou que era dele. Daí, o mundo passou a girar em volta do espaço. Daqui a pouco o espaço acabou, e as pessoas inventaram o espaço móvel. Porque se eu tenho espaço e você não, eu posso te dar um pouco em troca de algo. Espaço passou a ter valor. E para medir o valor criaram o dinheiro. Espaço é valor, então espaço é dinheiro. E logo todos queriam dinheiro, pois todos queriam espaço. E daí surge o interesso de aumentar o espaço. Espaço é dinheiro. E já que não podemos levar espaço para a feira para comprar coisas, então levamos dinheiro, que é espaço convertido em seu valor. E logo todos queriam dinheiro, para ter espaço. E a partir daí, algum louco fez com que todos confundissem as bolas. Porque dinheiro passou a ser posição, então posição passou a ser espaço. E para ter espaço em um grupo, ou em uma sociedade, era preciso ter dinheiro.
O espaço perde ser valor puramente físico. Passa a ser psicológico, e social. Ter espaço era ter dinheiro, e sem espaço, não somos ninguém. Perdemos nosso lugar entre as pessoas, passamos a ser escória. E nessa onda, o espaço deixa de ser universal, ou geográfico, ou mesmo físico. Passa a ser individual, privado, passa a ser uma idéia, uma lembrança vagam de tempos mais ingênuos, mais felizes. E dessa forma, o espaço consegue mais um meio de nos influenciar, nos manipular. Passamos a ter de batalhar pra sermos alguém, para ter o nosso espaço na sociedade. Perdemos o privilégio de termos nosso lugar por nós, do jeito que somos. O espaço passa a ditar a cultura, a influenciar a nossa forma de pensar, de nos expressar, de escrever, de mais uma maneira. Além do espaço natural, que por frio, por abundante ou por pequeno já mudava a cara de um grupo de pessoas, o espaço monetário, hierárquico, passa a ditar como países inteiros vivem. Lugares mais pobres passam a ocupar mais espaço físico, horizontal. Porém, perde sua existência na sociedade mundial, pois sem o espaço móvel, nos é negado o direito aos bens de conforto, à educação, e até mesmo às necessidades básicas de sobrevivência.
Se transforma, então, em um vilão. Um ditador, que define quem é bom, e quem é ruim para o mundo. Em bons espaços, nascem pessoas grandes. Em espaços ruins, pessoas sem destino. Porém foi nos piores espaços, mais difíceis para a sobrevivência, que a nossa espécie, e as outras, se desenvolveram primeiro, por razões de necessidade de sobrevivência. Quem sabe então, se um dia os esquecidos do espaço social um dia também florescem acima dos outros, como cisnes entre patos. É tudo uma questão de necessidade. E já é mais que necessário.
Um comentário:
Hunnnn muito bom...
Você é um ótimo escritor estou impressionado...
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