Mato meu tédio, ou melhor, o proíbo de existir, através do conhecimento de novas pessoas, pessoas diferentes, complexas, interessantes, problemáticas, ou até mesmo, pessoas simples e comuns. Não sofro do advento do tédio pelo simples motivo de que sou um apaixonado pelas artes, e pelos seres humanos, e enquanto elas expandem os meus horizontes e as minhas idéias, sempre ampliando a minha curiosidade e a minha ânsia em ir mais longe, tornando minha vida e cabeça maiores e mais ricas, eles preenchem todo esse espaço novo, com todas as suas idéias, vivências, curiosidades e excentricidades. Com todas as meninas com quem me relacionei, aprendi e cresci consideravelmente, e tenho plena consciência de que sempre será assim, pela minha escolha natural de apenas me relacionar com meninas que me interessam de uma forma especial.
Não digo que independe da pessoa em questão, que qualquer uma me interessaria da mesma forma que aquelas que cruzaram minha vida me interessaram, cada uma a seu tempo e modo; Tanto pois nunca teria vivido com algumas, no tempo que fosse, o que vivi com outras, em um curto tempo, em se tratando de riqueza de vida, emoções, crescimento, aquisição de conhecimentos, maturação. Não digo que qualquer menina teria o poder de fazer-me apaixonar por ela, ou qualquer menina me proporciona o mesmo prazer e vivência, em se tratando de crescimento e vida. Porém, digo que toda menina que passar por minha vida vai me dar esse prazer de me ensinar todo um livro, todo um método próprio sobre a própria vida, e que cada um desses “livros” me ensinará muitíssimas coisas, me impressionará pelo imprevisto, pelo inesperado, de formas felizes e tristes; Pois também, raras são as vezes que você poderá prever uma derrocada, ou algo do tipo, vindo de uma pessoa que se torne muito especial para você.
É claro que algumas pessoas que cruzam a sua vida, por serem maiores ou mais ricas em algum aspecto, em alguma qualidade, poderá te proporcionar uma experiência, momentos, uma vida, muito mais interessantes do que outras, em diversos momentos. Algumas pessoas são mais cultas que outras, mais divertidas que outras, mais problemáticas que outras, mais complexas, abertas, obtusas, fechadas, e por aí vai. O conjunto de todas essas características, do passado, da psicologia, das memórias e do próprio caráter da pessoa, será o fator determinante para isso, e uma pessoa poderá ser muito interessante para um, e absolutamente sem graça para outro, mas sempre poderá impressionar por alguma coisa; O passado e a história nos constroem, erguendo nossas fundações, que se escondem por debaixo das cidades. E escavando cidades modernas, muitas vezes podemos achar fundações impensáveis, datadas de séculos esquecidos pelo tempo. Todas as pessoas, algumas mais interessantes, outras menos; algumas que se tornam amigos, outras, amantes. Todos já são suficientes para qualquer um, pelo simples fato de serem pessoas. Serem diferentes, únicos. Conheci já grandes pessoas, e futuras grandes pessoas. E são as mais complexas. Pessoas cultas, bonitas, com a cabeça aberta; Como também conheci pessoas que sei que serão para sempre pequenas; Algumas, por opção, e aí está a grandeza delas, na simplicidade. Outras, por uma visão muito fechada do que chamamos de “Mundo”. Essas, passarão pela vida sem ninguém nem notar que existiram.
Porém, conhece-las todas é como viajar. Existem lugares magníficos pelo mundo afora. Lugares com histórias maravilhosas, passados grandiosos, e futuros não tão grandiosos assim. Existem lugares ricos, economicamente, ou ricos culturalmente. Lugares que não eram nada no passado, e tem futuros promissores. Lugares novos, cidades que não tem mais de cinqüenta anos, e cidades antiqüíssimas, datadas de milênios. Existem também cidades gigantescas, e cidades minúsculas. E lugares simples e lindíssimos, vazios, sem qualquer tipo de civilização. E também existem desertos, vastos e vazios. E até nesses desertos há segredos magníficos guardados, horas inesquecíveis e acontecimentos únicos. E mesmo quando nem isso há, já vale a viagem, por simplesmente ser um lugar novo, um lugar desconhecido, a ser explorado. Mesmo uma planície descampada, mesmo os lugares de puro vácuo do espaço, ou então, uma metrópole global, como São Paulo. Cada uma com seus segredos, seus esplendores, suas curiosidades, e histórias. Essas pessoas, mesmo aquelas com quem não me envolvo tanto a ponto de mergulhar em seu “ser” a essa profundidade, preenchem todo o vazio da minha alma. Algumas mais, como ela, e algumas menos, como muitos que cruzaram meu caminho. E pra todo o espaço que sobra, a própria arte e os sentimentos, em seu projeto de expansão da minha percepção, ainda tem o poder de transformar energia em massa, e preencher todo esse vácuo. Mesmo que seja de tristezas, melancolias, angústias, saudades.
Saudades.