terça-feira, 19 de junho de 2007

Desabafo de uma loucura

Basta! Esqueça dos seus sonhos, descarte suas fantasias! Acho que está muito tarde para desejar. Muito em cima para lutar. O melhor mesmo é se conformar de que nada vai ser diferente. Porque não vai. Decreto que a partir de hoje todo homem ajuizado, cidadão do mundo, está proibido de sonhar; É assim melhor para o mundo, e sua segurança. Os sonhos existem para criar mudanças, e eu digo que nada vai mudar.

Está, então, exaurida toda a esperança! Pois se não há possibilidade de mudar, os portadores da esperança, insatisfeitos e injustiçados, estão condenados. Seus sonhos se tornarão pesadelos escuros e maldosos, e logo a loucura e a revolta se instalará entre todos.

Matemos então todos os idosos! Destruamos então as matas! Deixemos a fome se alastrar, feliz! Continuemos a produzir armar cada vez mais sóbrias, mais frias, sérias; mais letais! Deixa a guerra rolar! Deixa o menino matar! Roubar! Droguemos-nos, de drogas podres, pesadas, até não haver mais volta! Que diferença faz? Nós, que lutamos pelo futuro, somos apenas a merda dos porcos mesmo. A sociedade é podre, o capitalismo selvagem é desequilibrado, os políticos são corruptos, sim! Vamos rir, beber e brindar a todos eles! Todos eles se merecem. E não vamos ser falsos, nós nos merecemos. Ninguém dá a mínima para tudo isso mesmo. O mundo fadado à desgraça, e nós comemoramos nossas futilidades, o casamento daquela atriz, a auto-suficiência do nosso petróleo. E daí que subirão três graus? E daí que morrem milhões por ano, só na África? Não toca no meu bolso nem no meu coração mesmo. Às vezes nos rende um “nossa” em frente ao sir William Bonner, mas quem liga? A população está inchada mesmo! Que morram, desocupem nossa querida e justa “Mãe Terra”, assim podemos plantar mais cana, fazer mais álcool, embebedar a população com a nossa moeda de barganha entre a Águia e o Dragão. E ninguém se preocupa com os corais em extinção. E todos continuam a matar, e a roubar, e muito bem, obrigado! “E agente tá tomando cada sapo no caminho, e agente vai se amando que, também, sem um carinho, ninguém segura esse rojão!”

Nenhum comentário: