segunda-feira, 25 de junho de 2007

Bons tempos aqueles?!

É curioso, mas se tudo continuar do jeito que está, vai tudo continuar do jeito que sempre foi. Só que pior. Quer dizer, pior pra mim, pelo menos. É um algo que eu percebo em tudo: na escrita, na música, nas conversas, nas pichações no muro, nas sacanagens que os filhos-da-puta fazem com os outros no colégio. Está virtualmente em tudo! Mas que diabo é isso, me perguntam? Bem, é simplesmente que a gente só vive duas coisas, hoje em dia: A nostalgia e o lamento.

Parece até coisa de português, aqueles caras que passaram um milhar de anos fazendo música só sobre isso. E não sei quanto vocês, mas eu não quero. E não quero ser lembrado por ter vivido e escrito na época da lamentação. Lamentação gratuita. Porque quem mais lamenta, na verdade, somos nós, integrantes das classes média e alta, que estamos com tudo em cima. E isso é o mais engraçado: Nós, que mal temos problemas, somos os que mais reclamamos. Porque sinceramente, como disse o Erasto, eu não tenho coragem de dizer que eu tenho um problema enquanto tem gente passando fome na porta da minha casa.

E a pior parte de todo esse lamento é que ninguém faz absolutamente nada. Nada! Eu vejo muita gente reclamando, muita gente xingando o governo, muita gente xingando a classe alta – mesmo fazendo parte dela – e não fazendo nada para mudar a situação da qual eles tanto reclamam. E não é só isso, é uma situação da qual eles reclamam simplesmente por estar na moda protestar de graça! Tanto porque a maioria deles nunca sentiu na pele os problemas dos quais reclamam, repetindo as palavras que eles ouvem na tevê, ou da boca de pais e professores. É reclamação gratuita, sem nem mesmo saber o que significa a reclamação que fazem, e sem fazer qualquer coisa em relação a ela. Agir que é bom, neca! Uma coisa é reclamar porque tá na merda, ou porque tá puto porque os outros estão na merda. Outra é reclamar porque acha bonito. Quer fazer porque é bonito, então vai pro big brother. Lá você vai encontrar pessoas como você. Porque crítica destrutiva não ajuda ninguém.

E agora, vem a comédia da nossa história. E sim, apesar de me incluir nesse meio, o ridículo dessa história. É a nostalgia daquilo que não foi vivido, como escreve o Tadeu no seu blog. É engraçado pensar nisso. É um algo do qual tenho tentado falar durante um tempo, e que o cara conseguiu retratar de forma perfeita: Uma nostalgia do que não vivemos. Esse nosso sentimento de vazio, de “bons tempos aqueles”. Bons tempos aqueles que não tínhamos nem nascido ainda? Bons tempos aqueles em que o Chico Buarque era jovem? Que a penicilina era “moderno”? Apesar de também compartilhar esse sentimento, que na minha opinião vem do simples vazio, dessa lacuna criada entre a estética artística e filosófica do século XX, e o que está por vir.

Eu me sinto como numa calmaria. É aquele período em que alguns românticos viraram e falaram “Aí, já perceberam que a gente escreve a mesma merda dês de que Napoleão perdeu a guerra?” “Ih, é mesmo, que merda. Vamo mudar”. Para mim, podemos ser a geração que começa a pensar, “que caralho, a gente só fala das mesmas merdas!”. Só não consigo encontrar a ânsia pelo novo. Ao invés de querer criar algo, a gente reclama do tempo ter passado. Tempo esse que nem passou por nós, porque era um trem que já havia partido. Bonito, bonito.

Nenhum comentário: