quinta-feira, 26 de julho de 2007

Bolseiro

Afinal, percebo que a sociedade é composta por apenas malditos hobbits! Se o Tolkien algum dia fez alguma coisa realmente brilhante, querendo ou não, para mim foi a maquete da nossa sociedade do Condado. Malditos hobbits que somos! Vivemos sempre em nossas cidadezinhas, em nossos mundinhos internos em nossas cabeças, vivendo sempre regras e condutas da moral local, estabelecidas por milhares de conceitos velhos e ultrapassados, proibindo pessoas que optam por fazer uso de coisas, e escolher atitudes que, se irão prejudicar alguém, não será ninguém além de si mesmos. Somos em geral pessoas fechadas a novas experiências, opiniões diferentes; idéias inovadoras, arrogantes e ousadas nos causam medo, horror; Vimos alguém vestido de forma diferente das usuais castas dos cults, playboys, nerds, roots e “normais”, e já nos botamos a olha-lo feio, como se estivesse errado em alguma coisa. Ouvimos histórias de pessoas fazendo sexo em festas, e achamos um absurdo. Drogas, se não é a que usamos, nem pensar, feio. Excessos de bebidas são condenáveis, micos são arrependíveis, viagens em drogas mais pesadas são dignas de pena. Como ter pena do prazer de alguém?! Se a pena ainda fosse de uma lombra torta de algum louco tomando um docezinho, tudo bem; mas da viagem do cara?

Vivemos então, nesses nossos condados pessoais, dentro de nossas cabeças, até que eles se externem para o mundo. Música, a que me é oferecida, como o restante das artes. Viagens, para os lugares mais aclamados e falados por aí. Pena que muitos desses lugares simplesmente pagam para serem aclamados como são. Logo, cada recanto magnífico do planeta vai se tornando um ponto do turismo de férias de família, quando n ao é simplesmente anexado aos domínios das viagens pseudo-cults.

E nesse meio termo, então, busco eu o sangue de Bolseiro, que sei que está dentro de mim, em algum canto. Essa família incomum de hobbits, mal vista pelo restante da sociedade, acaba quebrando esses paradigmas sociais, se libertando e se pondo a desbravar o mundo, e os mundos das outras pessoas, subvertendo as regras morais do Condado, onde viajar é coisa de gente louca. Busco eu me tornar um desses viajantes, tanto no mundo interno quanto no externo, e nisso, ser mal visto pelos outros até me interessa, pois mostra que estou no caminho certo. As pessoas xingam o que não entendem, o que nunca viram antes, como loucura, ou atitude errada. Busco eu perder o medo de ser feliz em detrimento da aceitação dos outros, cada vez mais, me libertando desses paradigmas musicais, morais, e outros “ais” do tipo, que essa sociedadezinha adora. Tenho muitos exemplos para me inspirar, e um deles muito bem vivo, nas distantes terras de Clóvis.

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