Bola de fogo! Imagine um avião a mais de duzentos quilômetros por hora, atravessando à toda a pista do aeroporto mais movimentado do país. Ele nem freia, nem alça vôo, simplesmente atravessa uma das maiores avenidas da maior capital de estado, e se arremessa contra um prédio. É, aconteceu, semana passada. Me sento na cadeira, na casa dos meus avós, preocupado com meus próprios problemas, meu próprio cansaço. A tevê ta ligada, mas eu não presto atenção. De repente, as cores fortes da tela me chamam a atenção, como que dizendo “importante!”. Um Airbus, gigantinho, da TAM, tinha acabado de bater num prédio, também da TAM. Me deu um arrepio na espinha... Fiquei pensando. Mais de duzentas mortes. Uma queimação de filme do país, da companhia, do aeroporto... até da cidade. E em plenos jogos Pan-americanos. Fiquei pensando, ao mesmo tempo compadecido por aqueles que foram e que ficam, e aliviado, de não conhecer ninguém a bordo do vôo, ou dentro do prédio. Podia ter sido comigo... É o maior aeroporto de escalas do país. Quase todos os vôos para o exterior chegam por ali, saem dali. Vários vôos regionais passam por lá, antes de seguir viagem. Podia ter sido com alguém importante pra mim. Com alguém que passa por lá direto, tantas pessoas. Podia ter sido com a minha mãe. Acho que em todas essas hipóteses, teria preferido se fosse comigo. Nem quero imaginar a dor que os familiares daquele povo todo deve estar sentindo.
E como se não fosse nada, a oposição ao governo usa o acidente de fachada pra fazer campanha contra o governo. E depois o governo Lula é baixo, é filho-da-puta. Usar da dor dos outros pra fazer política é uma coisa muito suja. E como se já não bastasse, ainda tem gente do governo passando vexame, pra dar mais um pouquinho de motivo pra base direitista xingar. Sei lá, eu tenho vergonha é dessa base do país. Acidentes acontecem. Por falhas técnicas, humanas, de gestão, não sei. Se aconteceu, é cuidar pra não acontecer de novo, e fazer de tudo para remediar, ao máximo, o sofrimento e os problemas que eles causam. Agora, se utilizar de uma calamidade dessas para mostrar como o governo é incompetente, vou te contar... Como se teria sido diferente, se fosse o purê de chuchu que tivesse assumido o governo, em vez do Luiz Inácio. É, quero ver qual vai ser a próxima.
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