E antes, como se fosse um calouro, sentiu medo. Era um nervosismo forte que se agravava a cada momento, causado pela eminência do momento. Começou a tremer, e seu corpo, mais informado que sua mente, começou a ter pequenos espasmos, movimentos involuntários, que o preocupavam. Suava feito um cachorro, e tinha muito medo e curiosidade, sobre aquela tênue barreira. Medo de se machucar, de machucar aquela coisa linda, medo. Medo do desconhecido.
Pensou se fizera tudo direito, se estava fazendo tudo direito, e os segundos pareciam se arrastar. Lembrou da primeira namorada, das outras que vieram, lembrou dos seus pais, do seu primeiro cachorro. De forma confusa, foi acometido assim, por tantas lembranças estranhas.
Chegando perto do grande momento, começou a pensar se fizera as escolhas certas, se fora o caminho certo que o levara até ali, e seu medo de estar errado em tudo aquilo que acreditava sobre aquele momento, o trouxeram um desespero. Na hora “H”, chegou mesmo a se arrepender. Desejou poder voltar no tempo, poder adiar aquele momento tão importante, agora irreversível. Chegou, inexplicavelmente, a ter medo da morte; E atravessou, como um cavalo, aquele frágil limiar.
E ele era só prazer. E em resposta ao sentimento mórbido, sentiu-se como se nascesse de novo. Sentiu que podia flutuar, e como se não precisasse mais respirar. Com essa barreira quebrada, viu todas as portas se abrirem para ele. Enquanto isso, seus sentido foram se aguçando cada vez mais, e, a cada momento, sentiu-se mais e mais inteligente e poderoso. Percebeu, então, que rumava para a transcendência e sentiu-se feliz, pois fizera a escolha certa. Num ápice, sua alma fundiu-se ao seu corpo, e seu consciente ao seu subconsciente. Seus sonhos se ajoelharam perante o antigo senhor e novo deus, enquanto ele percebeu a vergonha de ter sentido medo daquele paraíso. Em sua onipotência, se perdoou, assim como a todos seus antigos erros.
E no clímax, como deus, sentiu um prazer imenso, inimaginável a qualquer mortal. Tornou-se um com o universo e percebeu que, como deus, era dois, dois extremos do mundo, unidos no impossível. Numa explosão de vida, fragmentou-se, e assim nasceu um novo universo: O seu. Sua alma dividiu-se em três, separada do corpo logo antes da explosão, e um terço foi para não sei onde, enquanto os outros dois pedaços foram impulsionados de volta para a origem. As duas almas, enfim, tomaram rumos diferentes, mas não muito, e ele se viu sozinho.
Perdoado e purificado, renasceu. Acordou em um quarto, nos braços de uma mulher. Se era bebê ou adulto, não sabia. Se aquela mulher era sua mãe ou sua amante, não importava: Já não sabia falar. Estava feliz, como nunca. Já não sabia de mais nada, mas seus resquícios de onisciência lhe diziam. Ela era linda, era a mulher mais linda do mundo.
Um comentário:
Nossa, botei fé cara, muito bem escrito. Só nao gostei da espiritualidade, nao sou dessas coisas. Acho que voce deveria tentar escrever uma coisa um pouco mais elaborada, do ponto de vista da tematica, mas acho que isso tambem nao é seu estilo né? Se for ficar escrevendo sobre sentimentos é bem mais facil escrever poesia.
huashuisaiu abraço cara e prabens.
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