Amor: é o prenúncio de um grande sofrimento. Um sonho tão grande, e tão maravilhoso, misto de ternura e paixão, que é impossível que se vá facilmente, sem deixar marcas, causar mudança perceptível, sem dor, tristeza, sofrimento, ou lamento. Seria como beber até cair. Enquanto bêbado, a sensação é maravilhosa, o mundo pode se tornar perfeito. Passado o efeito, você pode passar uma das piores fases da sua vida. É um brinquedo perigoso, por assim dizer. Machuca, mata. Assassina, suicida. Mas é a melhor coisa que pode acontecer, que pode ser sentida por alguém. Cada segundo de seu auge vale meses da rebarba, meses do pós-guerra, ou pós-amor. Você conhece alguém, e passa a ter momentos ótimos com essa pessoa. Aprendizados e vivências para a vida, que mostram toda a perfeição e beleza do mundo, mesmo nos momentos tristes. Aprende a olhar para aquela pessoa com outros olhos, ouvir seu nome com outros ouvidos, reagir com outros estímulos à existência desse alguém; Essa pessoa se torna diferente, para sempre. Nunca um antigo amor voltará a ser simplesmente um amigo; Pode gerar uma amizade, mas será sempre um antigo amor. Ou pode gerar um outro qualquer sentimento diferente, postura diferente para com ele, mas será sempre aquela pessoa com quem você viveu bons momentos. Um carinho enorme pode ser gerado, ou uma mágoa profunda. Pois é tudo intenso demais para passar batido. O amor gera o quadro sentimental da vida; Todo sentimento humano parte, ou finda no amor. E por isso ele é tão idealizado, ou banalizado, dependendo do momento ou sentido. Ele dá os claros e escuros da vida, onde no claro, a vida é maravilhosa, cheia, intensa. No escuro, parece que nada na vida voltará a ser bom um dia. Não tão bom. Ninguém vai conseguir ser tão grande quanto aquela pessoa, nunca. É só uma dor. Só um sofrimento, só uma tristeza, só uma desilusão; Só um amor, uma paixão uma namorada, uma menina, uma pessoa, uma existência; Só uma fase. Mas dói. E é uma dor difícil de se descrever, digo. Posso tentar descreve-la em palavras racionais, ou em palavras de sentimento. É algo estranho, pois não se trata de uma dor puramente física. Também não se trata de algo parecido com um cansaço, ou um estresse, ou mesmo uma psicose. É meio que uma mistura de tudo isso. Pode até sentir o corpo doer, a peito apertar de um jeito mortífero, um vazio profundo na cabeça, uma ausência, absurda, como se não fizesse o menor sentido. E geralmente não faz, mesmo. Geralmente, não há um motivo, um sentido... A vida simplesmente muda, infelizmente. E a memória dessa mudança, a constatação dessa mudança, a memória dos bons momentos, e até dos maus momentos, tudo isso gera a dor. E dói. Sente-se vazio... Sem alma, sem nexo... Sem sentido, direção, vetor... Sem verdades, sem mentiras – estas que realmente não existem – sem tempo. Tempo pra quê? Sei lá, pra viver? Pra seguir adiante? Não se tem tempo, e não se teria motivo pra gasta-lo, se houvesse. Nem vontade. A cabeça se embaralha de novo, as faces, ideologias, imagens, personalidades, todas voltam para o baralho. As próprias idéias perdem seus sentidos, sua ordem... Você vive o passado, ou melhor, vive o presente composto pelo dueto, você, e... Ouve as músicas que aprendeu a ouvir. Pensa da forma que desenvolveu de pensar. Seu pensar antigo, mesclou-se às novas idéias que, inevitavelmente, absorveu, já que de uma pessoa que foi para você tão importante... Ou melhor, é: Nessas dores, sempre é. Não foi, pois não está morta. Mesmo não estando conjunta, não está morta, pois vive na sua cabeça. E você segue, buscando um sentido, passa a ter tempo, para pensar, para lembrar, para viver. E segue o caminho que visualizou quando estava unido. Porém, as idéias se embaralham, sem nexo, sem sexo, idéias assexuadas entre si, incapazes de se ordenar, distinguir, unir. Você toma decisões impensadas, evita alguns eventos, evita encontrar, ou faz de tudo para encontrar, se perde na própria vontade, tenta achar algum caminho, perdido. E você segue, buscando esse caminho, esse sentido, e vive como aprendeu a viver. Novas idéias estão no seu repertório, vivas. E como quem ama cuida, passa a temer a mudança, própria, e dela. Passa a temer as ações, passa a temer que algo de mal a aconteça, passa a temer. Chega a níveis de desespero, níveis de dor, níveis de incompreensão, níveis de non-sense, níveis de desorientação, níveis... Impensáveis, inexoráveis. Tudo por causa de uma pessoa. Que na verdade é você mesmo, e não ela, mas tudo por um sentimento. O seu, não o dela. E não está errado. Tem momentos de reclusão impossíveis, contra tudo e todos. Tem momentos de irresponsabilidade, e inconseqüência, necessários. Tem momentos de psicose angustiante, onde a sua cabeça parece pulsar, explodir e esmagar, explodir e esmagar, explodir e esmagar... Tem vontade de gritar, e grita, com toda a força; Mas grita dentro da própria cabeça, se ensurdecendo a si próprio, sozinho. Cai num mundo fechado, pequeno, escuro. Há ela, às vezes. Com o tempo, não há nada. Mas é um mundo doloroso, triste, sombrio, meio lúgubre. Tem momentos que não consegue olhar para frente, só para baixo. Mas vez ou outra algum raio de sol consegue bater na sua cara, e às vezes você não gosta, mas em outras você vai se sentir melhor com ele. E a vida vai seguindo, de uma forma irônica, como que rindo da sua cara, e você passa a odiar isso. Até que vê que ela faz isso como que te dizendo que já viu isso mil vezes, e passa a não conseguir mais chorar, mesmo se não tiver chorado nada. O choro, às vezes, é psicológico, sem som, sem lágrimas, sem soluços. E é como se você não tivesse mais lágrimas, ou seus neurônios não conseguissem mais imita-las. Você fica quieto, e se dá conta do término. Ousa levantar o rosto, olhar para frente, vê um mundo gigantesco e vazio. Olha para trás, e vê, por detrás de toda uma tempestade, que aquele mundo lindo, aquele mundo maravilhoso, faz parte do mesmo mundo que esse que está à sua frente. Percebe que a tempestade está em um ponto, não em uma linha. Vê que o mundo maravilhoso daquela pessoa não está por detrás de uma barreira, não está do outro lado de um rio, mas em outra margem de um lago. Percebe que aquela pessoa não ficou para trás, permanentemente, que ela apenas parou para amarrar os cadarços, ou descansar as pernas, beber um pouco de água. E seguiu por algum outro atalho, alguma outra trilha, ou mesmo está seguindo pela mesma que a sua. Como a vida passa ironicamente, você não pode parar e esperar, ou voltar e seguir pelo mesmo caminho que ela. Se for o caso, ela deve correr para te alcançar, ou seus caminhos, diferentes, poderão se cruzar novamente em algum lugar à frente, como amantes, novamente, ou como amigos. Pois como outrora todas as estradas chegavam a Roma, todos os caminhos podem se cruzar, vezes e vezes, podem chegar a um mesmo lugar, ou dar indicações de que “fulano passou por aqui”. É irremediável que grandes pessoas sempre encontrarão grandes pessoas. Eu tenho consciência que essa paulistinha é uma grande pessoa, e vai ser alguém ainda muito maior. Então, se pretendo cruzar o caminho dela algum dia, luto eu para ser grande. Se não, leio seu nome numa revista, num jornal, na televisão, e rio, com carinho, com boas lembranças.
20 de Agosto de 2007. Palavras de outros tempos, duma mesma pessoa.
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