domingo, 27 de maio de 2007

Bons tempos

Bons tempos aqueles que a surpresinha do Mc Donald’s vinha dentro da caixinha. O Trucks ainda existia, e era o sanduíche mais gostoso. Bons tempos em que o Toddynho não tinha cálcio demais, ou ter bastante cálcio era bom. Eu nem sabia que quê que era cálcio. E o sorvete mais gostoso era da Yopa, e o coração da Kibon era meio quadrado. O Mate Leão nem era da Coca-Cola, mas quase não vendiam em Brasília.

Bons tempos aqueles que Age of Empires era novidade, e eu assistia o meu pai jogando. Pra me divertir, tinha o “S dobrado” e o parquinho. Bons tempos, que a clava forte era a ferramenta absoluta, e todo mundo tinha a sua. O único pirata do caribe era o Capitão Gancho, mas agente nem lembrava dele. Tempos em que os Pokemons eram 150. Quer dizer, nem tinha pokemon. Os Cavaleiros do Zodíaco só passavam na Manchete, junto com Shurato e Samurai Warriors. E eu adorava.

Bons tempos aquele em que menina era um bicho chato e enjoado. A mulher mais bonita era a minha mãe, com aquele cabelão, que me levava pra passear e tirar fotos no zoológico, com os tigres no colo. O meu pai, coitado, nunca foi o melhor trompetista do Brasil. Culpa do meu ouvido e da criação que ele me deu. Meu avô ainda tava vivo, forte e brincalhão, e agente ia no clube todo domingo, e depois ia lanchar na casa dele.

Bons tempos aqueles que a internet era só discada. Ou nem isso. Celular, nunca tinha visto, e eu não tinha problemas. A coisa que mais me preocupava era... Nem lembro. Bons tempos aqueles em que não tinham bons tempos passados pra se lembrar. Nunca tinha vivido, logo nunca havia sofrido. Tempos lindos, infantis, em que apesar de tudo, eu era completamente feliz. Mas não havia vivido nada. Como ainda não vivi. Pois bem, bons tempos aqueles que virão. Nos que eu vou ser grande, nem que seja um grande merda.

Bons tempos estes, que vivo meus últimos anos isento de seriedade no trabalho, na vida. Estes que me lembro com carinho do passado, e ainda carrego aquela vontade de moleque de querer crescer logo. Mas agora, o crescer mudou. É viver.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ê angustia que nos consome em?!
beijo