Sou viciado em companhia e solidão.
Em loucas companhias, me revolto com a pequenez social.
Busco o ascetismo, ao lado do amor humano, feminino.
A natureza urbana, cavernas limpas, feitas de poluição visual e sonora, sem idéias e muitos símbolos, me sufoca.
Melhor seria então despir a proteção humana, natural, contra a natureza,
E nossa pele impregnada de átomos, quimicamente estáveis,
Biologicamente aceitáveis,
Naturalmente ilógicos, humanamente insanos,
De toda a matéria impura, do inconsciente cinismo humano,
Sujando a placa de não sujar,
Apagando memoriais, poluindo a área de preservar,
Justificando tudo em nome de São Progresso,
Progresso pelo caminho findo no nada, no nenhum, no ninguém.
Antecipando, nos fechamos em hibernação urbana, em casulo elétrico, em bolsa cosmética,
Tal a desorganização caótica que diz aos marionetes como pensar,
Vestindo em plástico garrafas de biodísel,
Dirigindo carros para dar palestras contra o efeito estufa.
Hipócritas televisivos vestem prada e encorajam a ajuda social,
Doam dinheiro à África, o mesmo usado para comprar diamantes de sangue.
Bêbados, criticam o cigarro. Ao fumarem, absurdam a maconha.
Estes, discursam sobre a cocaína, que fazem música sobre o crack.
Pobres diabos, se pudessem também diriam, mas sua validade vence em dois meses.
Hoje em dia, mais fácil seria, então, termos logo um código de barras.
Não teríamos mais que perguntar,
Qual é a sua marca?
Com ânsia de vômito social, nos obrigamos a viver ao lado destes, vírus que nos tornamos,
Parasitas obrigatórios da mente e vida alheia que somos.
Contradição é a palavra da vez. Juntos, brigamos mais. Separados, rimos menos.
Juntos, mais odiamos. Separados, vivemos menos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário