quarta-feira, 2 de maio de 2007

Otimismo

São nesses poucos momentos de otimismo, que me vem a tranqüilidade necessária pra eu não pirar. Pirar mais. Porque hoje eu tive um vislumbre da boa música de amanhã, e quis poder um dia escrever, tocar, compor, fazer qualquer coisa bem, que nem essas mulheres cantam, dançam. Tão bem quanto aqueles malucos tocam.

E desse jeito agente vai pensando, “que merda, queria ser bom assim”, e começa a pensar que cabeça não é aquele cara que tem cultura, que procura a arte. Um cara cabeça mesmo é aquele que cria a cultura, que faz arte. Alguém grande de verdade não assiste um show desses e sai pensando “que coisa de maluco, muito bom!”, mas sai do show com uma bagagem de idéias extra, já a meio caminho andado em alguma criação nova.

A boa cultura do amanhã ultrapassa os estágios e as barreiras atuais, não se restringe a nada, não se retém a valores. Nessa cultura, nessa arte, o Brasil sai na frente, pois é sincrético; e o sincretismo, a mistura das bagagens culturais e artísticas, junto com a vontade de criar e crescer (quando se cria, se cresce), ditarão o bom e o ruim num tempo vindouro. Pois o artista de verdade, apesar de ter sua área, sabe apreciar, admirar o valor, e desejar a capacidade de criar, em qualquer campo da arte. Tempos virão em que o músico vai pintar, e o escultor vai dançar. Na ânsia da plenitude artística, os caminhos todos vão impulsionar a cultura rumo à mistura.

E essas mulheres, essas Mawacas, cantando hora em Finlandês, hora em Árabe, e às vezes em Tupi e Japonês ao mesmo tempo, me mostram e me fazem acreditar que esse caminho é mesmo inevitável. Dança, canto, culturas, música; E pra completar, uma verdadeira aula de história, de literatura, de teologia. A cultura do amanhã é autocriadora. Aqueles que a possuem são os que a criam. E a arte toda ta em fazer arte. Queria eu participar disso.

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