Tudo meio assim, imagine, uma realidade, meio matrix, meio teoria da conspiração, meio tudo um pouco, meio mundo. O mundo é tudo um pouco disso, um pouco de matrix, um pouco de teoria da conspiração, um pouco de insanidade displicente, gerada pela chatice normativa dos não-loucos, chamados normais, mas por mim, agora que aprendi, chamados também de doidos. Dia especial: Kael, nome celestial, mas se eu fosse encarregado por um sistema diabólico e meio facista que eu fosse obrigado a chamar de chefe, mudaria o significado: O pescador de pessoas, ou talvez o pescador de loucuras. Pessoas, afinal, são loucuras, e Kael é aquele que tem o dom de conhecer pessoas extraordinárias. Encontramos com Kael, Kael está acompanhado. Vamos ao carro, vamos ao bar. Local sagrado chamado Beirute, tempos imemoriáveis de Brasília, maquete de experimentos do país.
Brasília é a cidade perfeita, de diversos pontos de vista, e assim foi planejada, com todo seu apartheid personalizado: Uma imponente, loucamente planejada acrópole. Segura, rica, um oásis no meio do deserto do planalto. Em torno, cidades que vivem para suprir Brasília de serviços básicos, cujos importantes moradores se recusariam a efetuar. Brasília é justamente, portanto, uma matrix dentro da própria, uma maquete em tamanho real do que seria a capital intergalática perfeita, regida pelo império, é claro.
No bar, ao som da chuva e à luz dum incenso, profundo, a bolha mais uma vez cresceu. Com certeza, pode-se dizer que foi só mais um bug do sistema: Tal encontro era proibido pelas leis quânticas, físicas, físico-químicas e bíblicas de acontecer. Provavelmente se trata dum encontro de realidades, como uma grande sala de bate-papo. Imagine-se entrando num lugar e deparando consigo mesmo: Choque de dimensões. Sentado num bar, deparo-me comigo mesmo, sentado à minha frente, porém numa dimensão ainda distante, já que, como pude ter a pretensão de ensinar, nos mantemos presos por nossas pessoais fortalezas quânticas, cérebros físicos inexistentes, imagens criadas por nossos próprios para proteção.
Digo e afirmo, sem medo de parecer (ou me mostrar) maluco – Sou Deus. Com toda certeza, afirmo sem medo da sua repreensão (ou apreensão), ou repressão: Constato, e os informo, sociedade louca do mundo, sociedade que me julga maluco perante os olhos cegos da justiça, tão injusta, como prova toda a história, possuo, como você, seu irmão, sua namorada e seu amante, um cérebro onipotente, onisciente, e onipresente. Por proteção, criamos, juntos, a convenção do mundo físico: Essa é a verdadeira palavra de Deus (a minha). Imagine um universo onde você poderia fazer tudo o que quisesse, mas onde também haveria o revés de todos os outros terem o mesmo poder que o seu. A sobrevivência não passaria, portanto, de uma utopia? Talvez um norte...? Pois bem, imagine um congresso que nunca existiu, fora da sua própria cabeça, onde todos os deuses, que são um só, e que sou eu, mas também pode ser você, depende da realidade que você escolher, se juntam e resolvem abdicar seus oni-poderes afim de viver. Pois bem, agora sabes de um segredo que muito poucos sabem.
É dito pela física quântica, que o cérebro é uma máquina quântica perfeita. Como no universo das possibilidades, cada uma delas gera uma nova realidade, e com isso há a criação e a existência constantes de realidades diferentes, o fato de vivermos uma só é mero medo. Nosso cérebro, como máquina quântica perfeita, é capaz de viver em todas as realidades, duas, ou uma só, escolhendo tais possibilidades com seu poder de previsão. O fato de seguirmos uma normalidade significa apenas que, nessa escolha de possibilidades, cada novo cérebro encarnado, ou cada ser humano, é condicionado pelos próprios pais, viventes do mundo físico, a escolherem sempre possibilidades que seguem algumas regras de existência, as tais Leis da Física, que também não existem necessariamente.
Sentamos no bar, bebemos cerveja, apreciamos a nossa loucura, ou lucidez agraciada. Trocamos pensamentos, palavras, verdades, mentiras, vidas. Com toda a certeza, tal conversa não existiu. O sistema se comprometeu de fazer uma limpeza. Me mataram em 98, entrei com a cara na porta, rasguei o supercílio. A injeção de anti-tetânica foi mal efetuada, bolhas de oxigênio surgiram por todo o meu sangue. Caio ficou mal na época, só que depois esqueceu. Mas então, nunca conheceu o Ribeiro. A Jah te Vi acabou, porque não teve ninguém para falar no ouvido dos moleques. Sem o Ribeiro, Caio nunca se tornou maluco do jeito que é. Caio nunca conheceu Ida, sua amada norueguesa, já que a Ida conheceu apenas o Ribeiro. Nunca se fez a ponte Edgar, Caio, Ribeiro, Kael. Caio nunca ficou tão amigo de Kael, apesar de acabarem se conhecendo. Lá se vai Caio, o profeta. Nunca houve, então, Caio, Kael, Zé e Chico sentados numa mesa. Afinal, Caio, Chico, Tássia e Diego são uma pessoa só. Afinal, Caio, Kael, Zé e Chico são também uma pessoa só. Chico e Zé são irmãos, ou são duas realidades de uma mesma pessoa, que nunca se encontraram. Chico morreu! Morreu novo, aos 8 anos! Nunca conheceu Dani, nem Marina, quanto mais Martha. Nunca conheceu ninguém, porque nunca existiu. Interpretando direito, Caio, Tássia, Diego, Kael e Zé são uma pessoa só: Chico, que é Deus. Chico morreu, ou talvez nunca tenha nem existido. Essa conversa nunca existiu. Esse texto também não.
3 comentários:
Gostei muito desse post e seu blog é muito interessante, vou passar por aqui sempre =) Depois dá uma passada lá no meu site, que é sobre o CresceNet, espero que goste. O endereço dele é http://www.provedorcrescenet.com . Um abraço.
chico, to de blog só meu.
você já está na receita.
aparece lá.
gosto do texto lombrado da fortaleza quântica.
Kakakaka.
Lindo texto debulhões! O fim lembra aqueles finais de episódios de Lost, traçando fragmentos de uma história esvaziada. Você morreu em 98, matou Deus e desoxigenou qualquer possibilidade de experiência significativa em minha vida. Obrigado fela da puta!
O congresso dos deuses nos chama para acumular carma positivo e reencarnar como demiurgos (demigods). Ainda nos veremos muito Chico, fumando um baseado de Jack Herer com haxixe nepalês em uma casa de campo acima de colinas verdejantes ao som do Ribeiro tocando um cravo e Ithzak Perlman acompanhando no violino. Servirei um chá de camomila antes de você ir embora. Grande abraço.
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