Eu tenho problemas. Meus problemas são muitos, mas ao mesmo tempo são um só. Não sei, acho que sou eu. Ta dentro da minha cabeça, o meu problema. E é aí que ta o problema. Estar aqui, falando nisso, é um problema. Falando do meu problema desse jeito é um grande problema. Nem sei por que gasto tempo com isso. É problemático.
Sabe, o que eu quero é tão simples, e ao mesmo tempo, é tão difícil ter... Tão complexo, se dividindo em múltiplas coisas, coisa de louco. Queria ser normal. Pensar normal, não pensar em um milhão de coisas diferentes ao mesmo tempo, parar de cismar com uma palavra problemática, e desenvolver toda uma situação-problema em volta desse problema da palavra problema. Talvez a palavra problema seja o meu problema.
Queria não me destacar. Assim, é paradoxal isso, negativo. Porque ao mesmo tempo que eu to dizendo que eu queria não me destacar, eu to me pondo em destaque, e ao mesmo tempo que eu digo isso, digo provavelmente de maneira falsa, e ao mesmo tempo digo isso, me auto-afirmando como um destaque.
E nessa confusão, desse tal problema, ta aí, conflito de uma criação católica, feita por um ateu, criando um ateu cheio de problemas, que é um problemão pra um colégio católico, e que vive causando problema por causa dos seus problemas, que são um só. Ta dentro da minha cabeça, esse meu problema. Talvez seja eu, talvez sejam elas, talvez seja a caneta, talvez seja a foto. Não faço a mínima idéia. Na verdade, acho que não sei que problema que eu tenho. Quem sabe não é tipo, que eu crio de forma teatral, igual alguns dizem. Talvez seja, talvez eu crie isso na minha cabeça pra aparecer. Num sei pra quem. Tem gente que diz que é coisa da minha cabeça. Disso eu tenho certeza, não precisam repetir. Outros dizem que é coisa de maluco. Também sei disso. Um outro pessoal diz que é frescura. É, de certa forma, deve ser mesmo uma tempestade em copo d’água. Mas quem dera não me incomodasse tanto!
Sei lá, às vezes dou essas doidas. Eu chamo de surto criativo. Vem do nada: Mistura um monte de coisa que ta passando pela minha cabeça, com uma pontinha de criatividade, e um monte de coisa que eu to sentindo na hora, e aí sai, só sai. Em qualquer hora, do nada, em qualquer lugar, em qualquer ocasião. Botar uma caneta na minha mão pode ser equivalente a por uma arma. Olha o que que dá. Isso sai assim, no meio de uma conversa, no meio de uma aula, e acabo me usando das pessoas, sem perceber, sem querer. Não sou sempre assim.
Sinto até vergonha, às vezes. Eu sou meio maluco, mesmo. Essas loucuras desconcertantes, esses problemas, essas idéias, acabam sempre saindo no meio de uma conversa. E o que me dá ainda mais desconforto, é que sai muito mais facilmente no meio de uma conversa do que quando escrevo assim, sozinho. Fazer o que. Isso ta dentro da minha cabeça, esse meu problema. Deve mesmo ser a caneta. Esses surtos, esses escritos, que tanto me incomodam, que tanto me fazem invejar a simplicidade de um texto desses. Esse é o meu problema, acho. A caneta, deve ser. Ou não. Pra falar a verdade, acho que não sei qual é. Deve ser frescura. Maluquice. Coisa da minha cabeça. Devo ser eu.
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